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Seminário na Assembleia Legislativa do Amazonas reúne trabalhadores, empresários e parlamentares em meio à reta decisiva da PEC que reduz a jornada semanal sem corte salarial
Manaus vira palco da disputa sobre o futuro do trabalho. O embate se deu na Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), que sediou, nesta sexta-feira (22), mais uma etapa da caravana nacional “Câmara pelo Brasil”, série de seminários organizados pela comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho no País.
O encontro, realizado no Auditório Belarmino Lins, reuniu parlamentares federais, representantes sindicais, empresários da ZFM (Zona Franca de Manaus) e movimentos sociais em debate que expôs o tamanho da disputa política e econômica em torno da PEC 221/19.
O seminário ocorreu num momento decisivo da tramitação da proposta. O relatório final do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão especial, deve ser apresentado nos próximos dias, após sucessivos adiamentos provocados pela pressão de setores empresariais e de partidos do Centrão que tentam ampliar o período de transição e flexibilizar o texto original.
Região Norte cobra espaço no debate nacional
A audiência em Manaus foi articulada pelo deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM), único representante titular do Amazonas na comissão especial da Câmara.
Segundo o parlamentar, a realização do seminário na capital amazonense buscou inserir a Região Norte no centro do debate sobre produtividade, qualidade de vida, competitividade econômica e direitos trabalhistas.
Participaram do encontro o presidente da comissão especial, deputado Alencar Santana (PT-SP), o relator Leo Prates (Republicanos-BA), além do deputado federal Sidney Leite (PSD-AM). Também estiveram presentes representantes da CUT, CTB, ACA (Associação Comercial do Amazonas) e Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil).
Saúde, exaustão e vida além do trabalho
As falas dos representantes dos trabalhadores concentraram-se no impacto humano da escala 6×1, especialmente nos setores do comércio, serviços, logística, construção civil e indústria da Zona Franca.
A presidenta da CTB Amazonas, Ana Cristina Rodrigues, afirmou que a redução da jornada é necessidade social e civilizatória. Segundo ela, jornadas exaustivas têm provocado adoecimento físico e mental, além de comprometer o convívio familiar e a qualidade de vida dos trabalhadores.
O debate refletiu o fortalecimento do movimento nacional “Vida Além do Trabalho”, impulsionado sobretudo nas redes digitais por trabalhadores submetidos a rotinas intensas e baixos salários.
Ao longo da audiência, sindicalistas defenderam:
Empresariado pressiona por transição lenta
Representantes empresariais da Zona Franca de Manaus demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos da mudança, sobretudo nos setores industrial e comercial.
Entidades patronais defenderam a implementação gradual da redução da jornada e alegaram risco de aumento de custos operacionais e perda de competitividade.
Nos bastidores da comissão especial, empresários e setores conservadores pressionam por alterações profundas no texto da PEC. Emendas apresentadas nos últimos dias chegaram a propor:
A repercussão negativa dessas propostas provocou forte reação nas redes digitais e entre centrais sindicais, levando parte dos próprios parlamentares signatários a recuar publicamente.
PEC entra na reta decisiva
O seminário de Manaus encerrou a série de audiências regionais realizadas pela Câmara dos Deputados em diferentes capitais brasileiras. A expectativa agora concentra-se na apresentação do relatório final da comissão especial e na possível votação da proposta ainda neste semestre.
Hoje, a disputa sobre a escala 6×1 ultrapassa os limites técnicos da legislação trabalhista e se transformou numa das principais discussões sociais, políticas e econômicas do País.
De um lado, trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais sustentam que o avanço tecnológico e o aumento da produtividade tornam incompatível a manutenção de jornadas consideradas exaustivas.
De outro, setores empresariais insistem no argumento de que mudanças rápidas poderiam elevar custos e comprometer a atividade econômica.
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