Pela primeira vez, comunidade de rip-rap em Manaus recebe rede de esgotamento sanitário
Pela primeira vez, comunidade de rip-rap em Manaus recebe rede de esgotamento sanitário
Cortado pelo igarapé do Gigante, o beco São Vicente, na Zona Centro-Oeste, apontará o caminho para a recuperação desse que é um dos corpos hídricos mais conhecidos de Manaus e também um dos que mais sofrem com os impactos do crescimento acelerado da cidade. Em maio, a região se tornou a primeira área de rip-rap a receber obras de implantação de redes de esgotamento sanitário. Até o fim do ano, os mais de 600 moradores do local terão acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, em um trabalho que reforça a relação direta entre saneamento básico e preservação dos igarapés que são a cara de Manaus.
As equipes da Águas de Manaus atuam na implantação de mais de 1,2 quilômetro de rede coletora e uma elevatória que transportará os efluentes para a Estação de Tratamento de Esgoto Parque Mosaico. O trabalho teve início com estudos topográficos e de mapeamento da região. A intervenção ocorre em uma área conhecida em Manaus como “rip-rap”, que é o nome dado às estruturas de contenção construídas nas margens dos igarapés para reduzir processos de erosão. Na capital amazonense, o termo também identifica as comunidades formadas ao redor dessas áreas, geralmente marcadas por relevo acidentado, becos estreitos e desafios de acesso à infraestrutura urbana.
Em razão das particularidades urbanísticas e geográficas de Manaus, cada projeto desenvolvido pela concessionária exige soluções específicas para cada localidade. Para garantir a sustentação da nova tubulação instalada pelas equipes da Águas de Manaus, foi desenvolvida uma estrutura metálica para ancoragem dos tubos, evitando deslocamentos durante os períodos de chuva, por exemplo.
“Levar o sistema de esgotamento sanitário para áreas de rip-rap é um desafio técnico que exige soluções específicas para cada realidade. Por isso, cada projeto passa por um planejamento detalhado, que considera as características do terreno, o padrão de ocupação e as condições de acesso. Isso cria as condições necessárias para a melhoria da qualidade de vida da população e para a recuperação dos igarapés, que são parte da identidade de Manaus”, destaca o gerente de Projetos da concessionária, Waldiney Lima.
Para quem vive no beco, a busca por uma comunidade mais sustentável faz parte da rotina. No local, o Projeto de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável na Amazônia (Reusa) promove ações de conscientização ambiental e capacitação de empreendedores, fortalecendo o vínculo dos moradores com a preservação do local. Entre eles está a artesã Cristina da Silva, de 63 anos, que mora na comunidade há mais de 15 anos e acompanha de perto as transformações da região.
Ela conta que a chegada do sistema de abastecimento de água, em 2019, já trouxe melhorias significativas para a qualidade de vida da população, especialmente na saúde. Agora, a expectativa é que o esgotamento sanitário represente mais um passo na recuperação do igarapé e na construção de um ambiente mais saudável para as futuras gerações.
“Hoje a gente sente diferença na qualidade da água, na higiene da casa, no cuidado com os alimentos e até na saúde da comunidade. A chegada do esgoto é a realização de um sonho antigo de quem mora aqui. Isso vai trazer mais dignidade, melhorar o ambiente, acabar com problemas de odor e valorizar ainda mais o nosso lugar. A gente quer que nossos filhos e netos encontrem um igarapé mais cuidado, mais limpo e uma comunidade melhor para viver. Estou muito feliz em ver esse progresso chegando aqui”, afirma.
O trabalho no Beco São Vicente integra o Trata Bem Manaus. O programa de expansão dos serviços de coleta e tratamento de esgoto na capital amazonense prevê investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões na implantação de cerca de 3 milhões de metros de redes coletoras, além da construção e ampliação de 70 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). A meta é universalizar o serviço em menos de dez anos.
Dois anos após o lançamento do Trata Bem Manaus, a capital amazonense vive as mudanças positivas da chegada do sistema de esgotamento sanitário. Quando se fala em uma cidade no coração da Amazônia, o acesso ao saneamento sem deixar ninguém para trás é o caminho para um meio ambiente mais protegido, com igarapés recuperados.
Tags: esgotamento
05/04/2026
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