Defensoria Pública do Estado do Amazonas
Site Institucional da DPE/AM
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) iniciou, nesta quarta-feira (27/5), um ciclo de atividades educativas em escolas municipais de Manaus para conscientizar crianças e adolescentes sobre a prevenção à violência sexual. A primeira ação, realizada em uma unidade de ensino da zona norte da capital, integrou a campanha Maio Laranja e utilizou brincadeiras e dinâmicas lúdicas para ajudar estudantes de sete a 12 anos a identificarem situações de risco, além de destacar a importância da escola e dos professores no acolhimento e na proteção de possíveis vítimas.
A ação faz parte da campanha Maio Laranja, coordenada pelo Núcleo de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Nudeca), em parceria com a Escola Superior da Defensoria (Esudpam). A abertura do projeto aconteceu na Escola Municipal Governador Eduardo Ribeiro, no bairro Cidade de Deus, zona norte da capital, onde as crianças participaram de dinâmicas educativas sobre proteção do corpo, situações de risco, confiança e pedido de ajuda.
De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre cinco e 14 anos cresceram de 6.594 para 29.135 casos entre 2014 e 2024. O estudo aponta ainda que cerca de dois terços desses crimes ocorrem dentro da própria residência, cenário que torna a escola um dos principais espaços para identificação de sinais de violência.
A 2ª Subdefensora Pública Geral, Sarah Lobo, destacou que o ambiente escolar é necessário à proteção das crianças e adolescentes.
“Nem sempre a família é o ambiente propício para ser um local de identificação e denúncia, visto que a violação de direitos pode estar ocorrendo no seio familiar. Já a escola, que acompanha as crianças e adolescentes diariamente, deve estar atenta às necessidades da criança e conseguir perceber mudanças comportamentais, no rendimento escolar, na frequência ou no próprio jeito da criança se comportar”, disse.
Na sala de aula, cartelas coloridas com perguntas sobre proteção tomaram conta das carteiras. As crianças assistiram a vídeos, ouviram músicas e pintaram. Em cada dinâmica, as profissionais da Defensoria entravam no círculo formado pelas crianças para escutar diretamente o que elas sentiam.
Silviane Campos, assistente social do Nudeca, observou que as crianças se envolveram com as atividades desde o início.
“Os materiais utilizados nas dinâmicas foram produzidos especialmente para as ações da campanha e pensados para aproximar o tema do universo infantil. A interação deles foi muito interessante. Eles tiveram uma boa adesão às atividades”, contou.
Para ela, esse envolvimento tem um propósito claro de que as crianças internalizem o que aprenderam.
“É importante que eles tenham dimensão da problemática e entendam os limites que precisam impor para que outras pessoas não toquem em seus corpos”, disse.
Os sinais que precisam de atenção
A psicóloga Mayara Feitosa explicou que crianças em situação de violência nem sempre conseguem relatar o que estão vivendo, o que torna a observação do comportamento fundamental, tanto na escola quanto em casa.
“Mudanças de comportamento, dificuldade na aprendizagem, alterações no sono e uma criança mais retraída ou muito irritada são alguns sinais de alerta”, pontuou.
Mayara destacou que a rede de proteção dentro da escola vai além dos adultos. “Às vezes, é um coleguinha que percebe que a criança não está bem e pede ajuda. Por isso é importante conversar com mais crianças e fortalecer esse ambiente. Os professores, gestores e demais profissionais da escola têm um papel fundamental no acolhimento inicial e no encaminhamento das denúncias”, ressaltou.
Para a gestora da escola, Daiane Pereira, a visita da Defensoria chega em um momento em que as equipes escolares já convivem diariamente com sinais de vulnerabilidade, mas nem sempre têm formação suficiente para agir.
“Aguardamos ansiosamente esse tipo de ação pontual. Aqui na escola nós temos crianças desassistidas, crianças que têm uma realidade complicada em casa, e elas trazem colocações, cenários que nos levam algumas vezes a ficar preocupados. Então, quando o aluno relata diretamente, nós sabemos quais protocolos seguir, mas é uma temática que ainda precisa de mais orientação e formação”, falou a diretora.
Acompanhando a atividade na sala do segundo ano do ensino fundamental, a professora Bruna Ramos, destacou o valor da ação para professores e alunos.
“As crianças trazem muita coisa do cotidiano e da realidade familiar. Ações educativas como essa da Defensoria também ajudam as crianças a entenderem melhor situações de violência, e também nos ajudam a compreender o tema para fortalecer a confiança para buscar ajuda”, falou a professora da turma.
Mais ações do Maio Laranja
Novas atividades estão previstas durante o ciclo de programações nas escolas municipais de Manaus. Nesta quinta-feira (28/5), a equipe da Defensoria vai estar presente Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, localizado na rua dos Açaizeiros, 802, bairro São José.
Texto: Aline Ferreira
Fotos: Marcus Bessa
Avenida André Araújo, Nº 679 – Aleixo
CEP 69060-000 | Manaus – Amazonas
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