Fenômeno climático tem alta chance de ocorrer no segundo semestre e pode repetir impactos registrados nos últimos anos, com prejuízos ambientais, econômicos e à saúde da população. (Foto: Reprodução)
Fenômeno climático tem alta chance de ocorrer no segundo semestre e pode repetir impactos registrados nos últimos anos, com prejuízos ambientais, econômicos e à saúde da população. (Foto: Reprodução)
A possibilidade de um novo episódio do El Niño nos próximos meses tem acendido o alerta no Amazonas. Com probabilidade estimada em 80%, o fenômeno climático pode intensificar a estiagem no estado, favorecer o aumento das queimadas e agravar problemas já enfrentados pela população em períodos recentes de seca extrema.
De acordo com projeções divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), há grande chance de que o El Niño se estabeleça entre junho e agosto deste ano. A expectativa inicial é de um evento de intensidade moderada, embora especialistas não descartem a possibilidade de um cenário mais forte.
As preocupações se baseiam nos efeitos observados durante as últimas ocorrências do fenômeno. Em 2023 e 2024, o Amazonas registrou números elevados de focos de calor, com milhares de ocorrências de incêndios florestais. A fumaça das queimadas encobriu cidades do estado durante meses, comprometendo a qualidade do ar e provocando transtornos em diversos setores, incluindo o transporte aéreo.
Além do aumento dos incêndios, os períodos de estiagem também atingiram níveis históricos. Em 2024, o Rio Negro alcançou uma das menores marcas já registradas em Manaus, refletindo a gravidade da seca. Especialistas explicam que a redução das chuvas e a vegetação mais ressecada criam condições favoráveis para a propagação do fogo, especialmente em áreas onde ainda há utilização de queimadas para manejo agrícola.
Situações semelhantes já haviam sido observadas durante o forte El Niño de 2015 e 2016. Na época, o estado também enfrentou aumento de incêndios, fumaça persistente em áreas urbanas e dificuldades logísticas causadas pela baixa visibilidade.
Diante da possibilidade de uma nova estiagem severa, órgãos estaduais têm reforçado medidas preventivas. A Operação Tamoiotatá continuará atuando no combate aos incêndios florestais, com atenção especial aos municípios que historicamente registram maior número de ocorrências. Paralelamente, o Governo do Amazonas finaliza um plano voltado à mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
O Corpo de Bombeiros também ampliou sua estrutura operacional nos últimos anos, aumentando a presença em municípios do interior e reforçando a frota e os equipamentos destinados ao combate ao fogo.
Prefeituras amazonenses e entidades municipais buscam apoio dos governos estadual e federal para reduzir a dependência das queimadas no preparo do solo agrícola. A proposta inclui a disponibilização de maquinário e alternativas técnicas que permitam aos produtores realizar suas atividades sem recorrer ao uso do fogo.
Para especialistas em clima, a possibilidade de um novo El Niño reforça a necessidade de planejamento antecipado. Além dos impactos ambientais, eventos extremos podem afetar o abastecimento de água, a produção de alimentos, a navegação nos rios e a saúde de milhares de pessoas que vivem na Amazônia.
Tags: avanço das queimadas, El Niño, seca severa
05/04/2026
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