O sonho da casa própria ou do investimento imobiliário tem se tornado pesadelo para centenas de amazonenses. Impulsionados pela explosão dos crimes de estelionato no estado — que já registram cerca de 11 mil ocorrências anuais, o equivalente a 1,3 golpe por hora —, as fraudes envolvendo a compra, venda e aluguel de imóveis dispararam. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estelionato no Amazonas saltou impressionantes 444% desde 2018.
Recentemente, a gravidade do cenário ficou evidente com a autuação de falsos corretores na região e a desarticulação de uma quadrilha interestadual. O grupo, que operava em seis estados, causou um prejuízo estimado em R$ 12 milhões. Na maioria dos casos, as vítimas só descobrem que caíram em uma armadilha meses depois, ao tentarem formalizar a escritura ou registrar o imóvel.
Criminosos têm refinado suas táticas para enganar compradores e locatários. Entre as fraudes mais recorrentes identificadas pelas autoridades estão:
Falsos proprietários: Criminosos se passam pelos donos do imóvel usando documentos falsificados.
Venda múltipla: O mesmo bem é negociado com várias pessoas simultaneamente.
Imóveis fantasma: Oferta de propriedades inexistentes ou que sequer estão à venda.
Ocultação de passivos: Esconder que o imóvel possui dívidas graves, penhoras ou restrições judiciais que impedem a transferência.
“As fraudes imobiliárias têm se sofisticado e exploram, principalmente, a falta de verificação em fontes oficiais. Por isso, a orientação é clara: antes de qualquer pagamento ou assinatura de contrato, é indispensável consultar a matrícula do imóvel”, alerta David Gomes David, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (Anoreg/AM). “É esse documento que garante segurança jurídica e protege o cidadão de prejuízos que podem ser irreversíveis.”
Para combater o avanço dessas fraudes, os Cartórios de Registro de Imóveis do estado apostam na tecnologia. A plataforma oficial RI Digital (ridigital.org.br) centraliza dados de mais de 550 mil propriedades em todo o Amazonas.
O sistema ataca justamente o ponto mais fraco das negociações fraudulentas: a validação de dados. Contratos de gaveta e anúncios chamativos podem ser facilmente forjados, mas o histórico real do imóvel não. Pelo portal, qualquer cidadão pode checar quem é o verdadeiro dono do bem e se há impedimentos legais para a venda.
Faça a busca prévia: Acesse o siteridigital.org.br. Se não tiver o número da matrícula, é possível pesquisar pelos imóveis vinculados ao CPF ou CNPJ do vendedor.
Solicite a Certidão Digital da Matrícula: Este documento funciona como a “certidão de nascimento” do imóvel. Ele traz todo o histórico da propriedade.
Faça o “pente-fino”: Antes de realizar qualquer transferência bancária ou assinar contratos, verifique na certidão se há registro de penhoras, dívidas acumuladas ou indisponibilidade do bem.
Em um mercado aquecido, mas sob a mira de criminosos, o acesso à informação oficial tornou-se o único divisor de águas entre um investimento seguro e a perda das economias de uma vida inteira.
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