O número de feminicídios no Amazonas dobrou no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Na comparação entre o primeiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, os casos de feminicídio no estado teve crescimento de 3 para 9, aumento de crescimento de 166,6%.
O governador Roberto Cidade lançou, nesta terça-feira (2), a Operação Mulher Segura, iniciativa que vai reforçar e ampliar as ações de enfrentamento à violência contra a mulher m todo o Amazonas. O estado conta com uma ampla estrutura de proteção formada por delegacias especializadas, atendimento policial 24 horas, Ronda Maria da Penha, patrulhamento fluvial no interior, entre outras medidas. A nova operação chega para fortalecer essa atuação e intensificar a presença do Estado na prevenção e repressão aos crimes de violência de gênero.
Coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), a Operação Mulher Segura será executada no âmbito da Operação Segurança Presente, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), reunindo as forças de segurança e instituições parceiras em ações integradas de proteção, conscientização e combate à violência contra as mulheres.
A operação mobilizará efetivos das polícias Militar e Civil, incluindo as três Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher (DECCMs), sendo duas em funcionamento 24 horas, e a Ronda Maria da Penha, que atuarão de forma integrada em ações preventivas, ostensivas e repressivas em todas as regiões do estado.
Além dessas ferramentas, é possível denunciar casos de forma virtual pela Delegacia Virtual (https://www.policiacivil.am.gov.br/dvm); pelas quatro Centrais de Flagrante e os 1º, 6º, 14º e 19º Distritos Integrados de Polícia (DIPs), que funcionam 24 horas.
Conscientização
Além das atividades policiais, a Operação Mulher Segura terá foco na conscientização da população. Ao longo da programação serão realizadas palestras em escolas, rodas de conversa, campanhas educativas e ações de orientação sobre os direitos das mulheres, os sinais da violência doméstica e os canais disponíveis para denúncia e acolhimento.
A operação também prevê o fortalecimento do acompanhamento das medidas protetivas de urgência, o cumprimento de mandados judiciais e a capacitação de profissionais que atuam diretamente no atendimento às mulheres em situação de violência.
No interior, a atuação da Ronda Maria da Penha seguirá sendo um dos principais instrumentos de proteção. Atualmente, o serviço conta com patrulhamento fluvial por meio de lanchas que atendem os municípios de Itacoatiara, Manacapuru, Tefé, Tabatinga e Parintins, permitindo alcançar comunidades ribeirinhas e áreas de difícil acesso. A ronda também está presente em municípios como Careiro da Várzea e São Gabriel da Cachoeira.
Rede de acolhimento
As ações de segurança são complementadas por uma rede estadual de acolhimento, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). Entre 2019 e 2025, mais de 74,6 mil mulheres foram atendidas pela rede de proteção estadual, que realizou mais de 40,9 mil encaminhamentos para serviços de saúde, assistência social, justiça e proteção especializada.
A estrutura inclui o Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), os Centros de Referência Especializados de Atendimento à Mulher (Cream), casas abrigo, os aplicativos SSP-AM Cidadão e Alerta Mulher e unidades do Serviço de Apoio à Mulher, Idoso e Criança (Samic), que vêm sendo ampliadas para municípios do interior.
A Operação Mulher Segura também reforça as ações desenvolvidas no âmbito do Pacto Estadual de Prevenção ao Feminicídio, instituído pelo Governo do Amazonas, em 2024, para integrar órgãos estaduais na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas destinadas à prevenção da violência de gênero e à proteção das mulheres.
Políticas públicas
Apesar dos avanços, os dados mais recentes reforçam a necessidade de ampliar a capacidade de resposta do poder público. Entre janeiro e maio de 2026, foram registrados nove casos de feminicídio no estado. No mesmo período, os registros de violência doméstica apresentaram crescimento, passando de 12,7 mil para 14,3 mil ocorrências em comparação com o ano anterior.
O aumento dos registros está associado à ampliação dos canais de denúncia, ao fortalecimento das forças de segurança e à maior confiança das vítimas nas instituições públicas. O crescimento das notificações demonstra que mais mulheres estão rompendo o silêncio e procurando ajuda antes que a violência evolua para situações mais graves.
Em 2025, o sistema de segurança pública instaurou mais de 15 mil inquéritos relacionados à violência contra a mulher, um aumento de 29% na produtividade policial. As tentativas de feminicídio permaneceram em patamar elevado, com 109 registros no ano passado, reforçando a necessidade de ações permanentes de prevenção e acompanhamento das vítimas.
De acordo com os dados, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. O país registrou 399 vítimas de feminicídio entre os meses de janeiro e março. Considerando o monitoramento realizado desde 2015, o ano de 2026 é o mais letal para as mulheres no recorte do primeiro trimestre.
O estado de São Paulo concentra o maior número absoluto de feminicídios no país nos primeiros três meses de 2026, totalizando 86 vítimas, seguido por Minas Gerais, com 42 ocorrências, Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24). Apenas dois estados não registraram feminicídios no período: Acre e Roraima.
No ano passado, o número de feminicídios bateu recorde no Brasil: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro registrados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.
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