(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Manaus (AM) – Os povos indígenas brasileiros enfrentam um cenário cada vez mais preocupante de violência e vulnerabilidade. É o que aponta o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O levantamento mostra que os conflitos territoriais e socioambientais continuam sendo fatores determinantes para o aumento da violência contra comunidades indígenas em diversas regiões do país.
De acordo com o estudo, a taxa de homicídios entre indígenas, que havia apresentado redução nos últimos anos, voltou a crescer recentemente. Em 2024, foram registrados 24,6 homicídios para cada 100 mil indígenas, índice cerca de 22% superior à taxa nacional, que ficou em 20 homicídios por 100 mil habitantes.
O caso mais alarmante foi registrado no estado do Amazonas. Em apenas um ano, o número de assassinatos de indígenas passou de 36 casos em 2023 para 73 em 2024, representando um aumento de 123,4% na taxa de letalidade. Na Bahia, o crescimento dos homicídios indígenas também chamou atenção, com aumento de 84,6% no mesmo período, resultado associado ao surgimento de novos focos de conflito territorial.
Segundo o Atlas da Violência, a violência contra os povos indígenas está diretamente ligada às disputas por terras e recursos naturais. A expansão de atividades ilegais, invasões de territórios tradicionais e conflitos fundiários têm intensificado os riscos enfrentados pelas comunidades indígenas.
Outro dado preocupante do levantamento refere-se à violência contra mulheres indígenas. Entre 2014 e 2024, houve crescimento contínuo dos registros em diversas modalidades de agressão, segundo informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
A violência física continua sendo a ocorrência mais frequente. Os casos saltaram de 359 registros em 2014 para 1.330 em 2024, demonstrando um aumento expressivo ao longo da década. Embora tenha ocorrido uma pequena redução em 2020, período marcado pela pandemia da Covid-19 e dificuldades de notificação, os números voltaram a crescer de forma acelerada nos anos seguintes.
A violência sexual apresentou o aumento mais significativo em termos proporcionais. Em 2014, foram contabilizados 115 casos, enquanto em 2024 o número chegou a 669 registros, indicando um agravamento das agressões e maior incidência de situações consideradas graves.
Os dados também revelam crescimento em outras formas de violência. Os registros de negligência aumentaram de 21 para 168 casos no período analisado, enquanto a violência psicológica passou de 23 para 155 notificações.
Para especialistas, os números demonstram a urgência de fortalecer políticas públicas voltadas à proteção dos povos indígenas, especialmente nas áreas de segurança, saúde e garantia dos direitos territoriais. O Atlas destaca que o enfrentamento da violência passa necessariamente pela redução dos conflitos fundiários e pela ampliação da presença do Estado em regiões onde as comunidades indígenas estão mais expostas a ameaças e violações de direitos.
Os dados apresentados pelo Atlas da Violência 2026 reforçam que a proteção dos povos indígenas continua sendo um dos grandes desafios sociais do país. O aumento dos homicídios e das diversas formas de violência evidencia a necessidade de ações integradas que garantam segurança, dignidade e respeito aos direitos dessas populações tradicionais.
(*) Com informações da Agência Brasil
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