Foto: Ketlen Alexandre/Semsa
Foto: Ketlen Alexandre/Semsa
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) recebeu representantes do Ministério da Saúde (MS) e do programa Core Brasil, na manhã desta terça-feira, 2/6, para uma apresentação sobre as iniciativas e políticas de saúde bucal e envolvimento e engajamento comunitário desenvolvidas pelo órgão federal e pelo programa. A atividade integrou a agenda do “Seminário de Saúde Bucal dos Povos da Floresta e das Águas”, promovido pelo Core Brasil.
Ao lado de gestores e profissionais da Semsa, o secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, recebeu os participantes do seminário, o coordenador-geral de Saúde Bucal do MS, Edson Hilan Lucena; o coordenador nacional do Core Brasil, Paulo Goes; e a professora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ana Paula Herkrath. O secretário pontuou os desafios na assistência aos moradores da zona rural de Manaus.
“Temos uma área sete vezes maior que a de São Paulo, e a zona rural toma conta de 93% dela, mas lá vivem apenas 7% da nossa população. Fazer saúde, e saúde bucal, para esse público é um desafio gigante, mas nossas equipes trabalham para isso com afinco, amor e dedicação”, ressaltou Nagib.
Edson Hilan destacou no seminário as ações desenvolvidas por meio da Política Nacional de Saúde Bucal, conhecida como Brasil Sorridente, voltadas a populações do campo, da floresta e das águas. Ele destacou que a política, criada em 2003 e incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, tem mecanismos para assegurar a equidade na atenção à saúde bucal, como incentivos para equipes que atuam junto a comunidades tradicionais, a exemplo de populações ribeirinhas.
“Esse seminário é uma oportunidade de conversarmos com gestores, profissionais e acadêmicos sobre as ações do Brasil Sorridente, mas também de colher perspectivas e entender desafios, para podermos qualificar cada vez mais nossa saúde bucal”, avaliou o coordenador.
O evento em Manaus, de acordo com Paulo Goes, ocorre como parte do projeto de saúde bucal desenvolvido pelo Core Brasil na comunidade Santa Maria, na zona rural. A iniciativa, proposta e coordenada por Ana Paula Herkrath, da Ufam, foi uma de três selecionadas em edital do programa, sendo outras duas voltadas ao público LGBTQIAPN+, em Porto Alegre, esta proposta por docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e a populações quilombolas do interior do Ceará, pela Universidade Federal do Ceará.
“Buscamos conhecer essas realidades e entender como ofertar a saúde bucal da melhor forma a essas comunidades, que têm especificidades por conta de seus territórios, de suas crenças e até de seus estigmas dentro da sociedade”, apontou o coordenador.
O encontro no auditório da Semsa teve a presença de gestores e profissionais da Diretoria de Atenção Primária, do Distrito de Saúde Rural e de Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) da Semsa, e representantes da FAO/Ufam e da Fiocruz Amazônia.
À tarde, a agenda do seminário teve uma atividade acadêmica com estudantes de graduação e pós-graduação da FAO/Ufam, no auditório da Escola de Enfermagem de Manaus. A equipe da Gerência de Saúde Bucal e cirurgiões-dentistas da Semsa que atuam como preceptores de estagiários da FAO também acompanharam o encontro.
O “Seminário de Saúde Bucal dos Povos da Floresta e das Águas” é organizado pela coordenação do projeto desenvolvido pelo Core Brasil no Amazonas, em parceria com Ufam, Fiocruz Amazônia e Semsa Manaus.
A programação do seminário continua na quarta-feira, 3/6, pela manhã, com uma visita dos representantes do MS e do Core Brasil à comunidade Santa Maria, na calha do rio Negro, onde é conduzido um dos projetos apoiados pelo Core Brasil.
À tarde, os representantes vão conhecer a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) Dr. Ney Lacerda, que estará ofertando atendimentos de odontologia na comunidade do Tatu, próxima da Santa Maria.
A gerente de Saúde Bucal da Semsa, Cláudia Carvalho, relatou que a UBSF Ney Lacerda atende comunidades ribeirinhas situadas na calha do rio Negro, na zona rural, durante dez dias a cada mês, dispondo de consultório odontológico e equipe de saúde bucal completa para oferta de exames clínicos, limpeza, restauração e outros serviços básicos, além de biópsias para casos suspeitos de câncer bucal.
“Vamos inclusive ampliar nossa carteira de saúde bucal na unidade fluvial, com a oferta de tratamentos de canal, a partir de julho, pois é difícil para pessoas das comunidades ribeirinhas se deslocar até a zona urbana para buscar esse serviço especializado”, antecipou a gestora.
Foto: Ketlen Alexandre/Semsa
Foto: Ketlen Alexandre/Semsa
O Core Brasil integra o Community Focused Oral Health Research for Equity (Core) Program, ou Programa de Pesquisa sobre Equidade em Saúde Bucal com Foco em Comunidades. A iniciativa é financiada pelo National Institute for Health and Care Research (NIHR), do Reino Unido, para pesquisas em saúde global, visando o enfrentamento das desigualdades em saúde bucal em países de média renda. O programa envolve quatro países, Brasil, Colômbia, Quênia e Índia.
No Brasil, conforme Paulo Goes, o Core promove treinamentos para profissionais de saúde bucal, nas modalidades presencial e remota, e oferta bolsas de estudo para cursos de mestrado no Reino Unido. O programa também financia projetos de pesquisa, entre eles o projeto conduzido na comunidade Santa Maria, na zona rural de Manaus.
Uma particularidade do programa, segundo o coordenador, é que as intervenções nas comunidades são construídas em conjunto com os comunitários, levando em conta a leitura que eles fazem da realidade, de suas potencialidades e dificuldades. “Entramos com nosso olhar, com base na ciência tradicional, mas incorporando valores da comunidade, para buscar a melhoria do acesso das pessoas, a redução das desigualdades em saúde bucal e a melhoria da qualidade de vida”.
Para Paulo, as ações para ampliar o acesso dos comunitários e reduzir as desigualdades em saúde bucal devem levar em conta os desafios representados pelo território, com uma geografia e uma distribuição humana únicas, e pela incorporação de saberes e culturas, em especial dos povos originários, no pensamento científico tradicional. “São dois grandes desafios, para além de todos os desafios do SUS”, conclui.
Tags: Core Brasil, Manaus, Ministério da Saúde, saúde bucal
05/04/2026
02/06/2026 – Economia
02/06/2026 – Cidade
02/06/2026 – Cidade
02/06/2026 – Cidade
02/06/2026 – Economia
02/06/2026 – Cidade
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Informamos ainda que atualizamos nossa Política de Privacidade.
This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.
Strictly Necessary Cookie should be enabled at all times so that we can save your preferences for cookie settings.












Deixe o Seu Comentário