Projeto orienta homens do interior do Amazonas sobre prevenção ao câncer de pele – A Crítica

Iniciativa de educação em saúde alerta para os riscos da exposição solar prolongada e reforça a importância do diagnóstico precoce
(Foto: Divulgação)
A exposição frequente ao sol, sem proteção adequada, é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, especialmente entre trabalhadores que exercem suas atividades ao ar livre. No interior do Amazonas, onde é comum a população masculina atuar em setores como agricultura e pesca, o contato prolongado com a radiação solar faz parte da rotina de trabalho. Nesse contexto, ações de orientação e educação em saúde são importantes para ampliar o acesso à informação, incentivar hábitos preventivos e favorecer o diagnóstico precoce da doença.
Com esse objetivo, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara desenvolve o projeto de extensão “Prevenção e Identificação Precoce do Câncer de Pele na População Masculina Exposta à Radiação Solar no Interior do Amazonas: uma ação de educação em saúde”. A iniciativa é coordenada pela professora Tâmiza Barros Martins, farmacêutica e docente dos cursos de Medicina e Enfermagem da instituição.
Segundo Tâmiza, o projeto foi criado para sensibilizar homens que atuam em atividades como agricultura, pesca e construção civil, grupos que permanecem expostos ao sol por longos períodos e, historicamente, procuram menos os serviços de saúde preventiva. “Nosso objetivo é capacitar a população a reconhecer lesões suspeitas e estimular mudanças de hábitos, transformando o conhecimento acadêmico em impacto social direto na comunidade de Itacoatiara”, afirma.
As ações incluem rodas de conversa, palestras educativas, distribuição de materiais informativos, demonstrações sobre o uso correto do protetor solar e orientações individuais para identificação de lesões suspeitas, com encaminhamento para serviços de saúde quando necessário.
“Entre os principais sinais de alerta estão feridas que não cicatrizam, manchas que crescem ou mudam de cor, pintas assimétricas, coceira, sangramento e lesões que descamam ou aumentam rapidamente”, destaca Tâmiza. A professora orienta os participantes a observarem a regra do ABCDE: assimetria, bordas irregulares, cor variada, diâmetro superior a seis milímetros e evolução da lesão ao longo do tempo.
A médica dermatologista Anne Amaral, docente da pós-graduação em Dermatologia da Afya de Manaus, destaca que os principais grupos de risco no interior do Amazonas incluem trabalhadores rurais, pescadores, agricultores, indígenas e ribeirinhos. “A exposição solar prolongada sem proteção e a baixa procura por avaliação médica preventiva são os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento da doença”, explica.
Entre as medidas preventivas recomendadas estão evitar exposição solar entre 10h e 16h, utilizar chapéus de abas largas, roupas de manga longa, óculos escuros e protetor solar, além de realizar o autoexame regularmente para observar manchas ou feridas que apresentem alterações.
De acordo com Tâmiza Barros Martins, as ações já vêm apresentando resultados positivos. “Muitos participantes relatam desconhecer que determinadas manchas poderiam indicar risco e, após as orientações, passaram a adotar medidas simples, como o uso de bonés, roupas compridas e observação mais atenta da própria pele”, relata.
A Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara oferece cursos na área da saúde e desenvolve projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados às necessidades da população amazônica. A participação dos estudantes nessas iniciativas contribui para a formação de profissionais comprometidos com a prevenção, o diagnóstico e o cuidado integral em saúde.

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