MANAUS – O prefeito de Manaus, Renato Júnior, afirmou nesta terça-feira (9) que a ampliação da área urbana da capital para instalação de novas indústrias não depende apenas da atualização do Plano Diretor do Município. Ele rebateu alegação da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) sobre a falta de terrenos para novas fábricas.
A Suframa afirma que a expansão da área urbana destinada à atividade industrial é necessária para viabilizar cerca de 200 novos projetos previstos para o PIM (Polo Industrial de Manaus) nos próximos três anos. Segundo a autarquia, a medida é importante para garantir espaço para novos empreendimentos e evitar a perda de investimentos.
Renato Júnior afirmou que a prefeitura está aberta ao diálogo, mas disse que a responsabilidade pela disponibilidade de áreas não pode ser atribuída exclusivamente ao município.
“A Prefeitura de Manaus está pronta para dialogar com a Suframa, mas a Suframa tem áreas dentro da Suframa. […] Esse atraso, na verdade, é por parte da Suframa. Então, a Suframa não pode, nesse momento, colocar uma responsabilidade que é dela sobre os ombros da Prefeitura de Manaus. Estamos aqui para dialogar”, declarou ao ATUAL.
Segundo o prefeito, existem áreas sob responsabilidade da própria autarquia federal em regiões como Puraquequara, Colônia Antônio Aleixo e no ramal do Brasileirinho que, na avaliação dele, poderiam ser destinadas à instalação de empreendimentos industriais. Mas que a Suframa “permitiu” que fossem invadidas. Ele disse que a prefeitura não tem “competência” para agir na área e que a autarquia não protegeu essas áreas.
De acordo com Renato Junior, parte dessas áreas acabou sendo ocupada ao longo dos anos sem que houvesse a destinação originalmente prevista para atividades produtivas. O prefeito afirmou ainda que pretende apresentar à Suframa um levantamento técnico para demonstrar a existência desses espaços.
“Vou apresentar um documento à Suframa para mostrar quais são as áreas que a própria Suframa tem para colocar muito mais do que 200 galpões. Posso provar isso com muita tranquilidade”, afirmou.
Apesar das críticas, Renato Junior disse que a administração municipal não é contrária à ampliação da área urbana para receber novas fábricas. Segundo ele, os estudos em andamento dentro da prefeitura apontam para a possibilidade de expansão, mas a medida precisa ser analisada levando em conta os impactos para o crescimento da cidade.
“Nós somos a favor dessa ampliação. A equipe técnica que está estudando o tema é favorável ao aumento da área urbana da cidade de Manaus para a instalação dessas indústrias”, disse.
O prefeito ressaltou, porém, que a discussão não envolve apenas a oferta de terrenos para novos empreendimentos. Segundo ele, a expansão da área urbana pode gerar reflexos no trânsito, na logística e na prestação de serviços públicos.
“Nós temos que ver também o que isso impactará no trânsito da cidade de Manaus, o que isso impactará na logística interna, uma vez que a nossa cidade já é uma cidade que, por si só, é diferente de todas as outras, porque a movimentação de carretas na sua área urbana é gigante”, afirmou.
Renato Junior também defendeu que a ampliação do perímetro urbano esteja associada ao planejamento da cidade e não apenas à valorização de áreas privadas.
“Queremos a geração de emprego e renda na nossa cidade, queremos mais vagas de emprego, mas que sirva à cidade de Manaus, não à especulação imobiliária”, declarou.
Questionado sobre o prazo para conclusão da atualização do Plano Diretor, o prefeito afirmou que o tema ainda está sendo discutido internamente pela administração municipal e depende da análise de diferentes aspectos técnicos. “Estamos em diálogo interno, porque passa por várias etapas”, disse.
Segundo Renato Junior, a prefeitura também pretende criar uma frente específica para dialogar com empresas interessadas em se instalar na capital e acompanhar demandas relacionadas à expansão industrial do município.
(Colaborou Thiago Gonçalves)
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