(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)
Manaus (AM) – A relação entre partidos políticos e institutos de pesquisa voltou ao centro do debate eleitoral no Amazonas após o partido Avante ingressar com ação no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para ter acesso completo aos dados internos de um levantamento divulgado no estado.
O alvo da ofensiva jurídica é a empresa Action Marketing e Pesquisa / A F Soares Marketing e Pesquisas de Mercado Ltda., responsável pela pesquisa registrada sob o número AM-05601/2026 no sistema PesqEle da Justiça Eleitoral.
A iniciativa do Avante evidencia o aumento da pressão política sobre institutos de pesquisa em um cenário pré-eleitoral cada vez mais marcado pela judicialização, pela disputa de narrativas e pela tentativa de controle da percepção pública antes mesmo do início oficial da campanha.
Embora o partido não peça a suspensão da pesquisa nem ataque diretamente os números divulgados, a ação demonstra um movimento claro de fiscalização sobre a metodologia, os critérios técnicos e os bastidores da coleta de dados utilizada pela empresa.
Ao TRE-AM, o partido solicitou acesso detalhado ao sistema interno de controle da pesquisa, incluindo planilhas em formato editável, registros de coleta, mapas, questionários e documentação auditável do levantamento.
O pedido foi aceito pela desembargadora Nélia Caminha Jorge, vice-presidente e corregedora regional eleitoral do TRE-AM, que autorizou o acesso às informações com base na legislação eleitoral e na Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A decisão reforça o entendimento de que partidos políticos possuem legitimidade para fiscalizar pesquisas eleitorais e confrontar dados divulgados ao eleitorado. O episódio revela o peso estratégico que as pesquisas passaram a exercer no ambiente político amazonense.
Na decisão, a magistrada cita o jurista José Jairo Gomes ao alertar para o chamado “efeito de manada”, em que eleitores tendem a aderir a candidaturas apontadas como líderes nas sondagens.
“Transformaram-se as pesquisas eleitorais em relevante instrumento de marketing político”, destaca o trecho reproduzido na decisão judicial.
A declaração reforça uma percepção já consolidada nos bastidores da política: pesquisas deixaram de ser apenas ferramentas estatísticas e passaram a funcionar como instrumentos de influência eleitoral, capazes de movimentar alianças, atrair apoios e moldar a narrativa pública sobre quem está “forte” ou “fraco” na disputa.
Os levantamentos eleitorais poderão ser acompanhados com maior frequência por partidos políticos durante o período pré-eleitoral, especialmente em relação aos dados metodológicos e documentos registrados junto à Justiça Eleitoral.
O caso mostra a utilização de mecanismos previstos na legislação eleitoral para acesso e fiscalização de informações técnicas relacionadas às pesquisas divulgadas durante o processo eleitoral.
Com a aproximação das eleições de 2026, partidos políticos, institutos de pesquisa e a Justiça Eleitoral passam a concentrar discussões sobre fiscalização, transparência e divulgação de levantamentos eleitorais no estado.
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