A empresária foi escolhida para receber o tradicional prêmio da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), homenagem que receberá no próximo dia 27 no SESI Clube do Trabalhador.
Mariana tem trajetória baseada em uma formação abrangente na gestão, a começar pela graduação em Administração de Hotéis na renomada Les Roches (Foto: Divulgação)
O dinamismo, a capacidade de enfrentar desafios e buscar soluções fazem parte da rotina de Mariana Barrella, amazonense de 43 anos, CEO do grupo Tutiplast Indústria e Comércio Ltda., que lidera 1.500 empregados com faturamento anual de R$ 500 milhões e fornece para empresas globais instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). A empresária foi escolhida para receber o tradicional prêmio “Industrial do Ano 2026”, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), homenagem que receberá no próximo dia 27 no SESI Clube do Trabalhador.
Mariana tem trajetória baseada em uma formação abrangente na gestão, a começar pela graduação em Administração de Hotéis na renomada Les Roches, em Crans-Montana, na Suíça, além de Especialista em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela Fundação Dom Cabral e MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A empresária, que já tinha uma carreira fora de Manaus, começou na Tutiplast, empresa da família, aos 29 anos, quando o negócio estava em expansão. Como toda organização familiar, enfrentava vários desafios na área de governança e a necessidade de melhoria de processos, explica Mariana. Foi nesse período que mergulhou na fábrica, com o desafio de organizar a forma de desenvolver as operações.
Ao atender o pedido do pai, Cláudio Barrella, aceitou o desafio de avançar nas operações da fábrica de componentes plásticos fundada em 1993. O pai empreendedor ganhou uma sagaz executiva e sócia, que avançou no negócio “B to B” (Business to Business), que fornece apenas para outras empresas.
“Resolvi voltar para ajudá-lo. Quando cheguei fui trabalhar na produção e ele ficava com a parte comercial e de compras. Fui me aprimorando, entendendo mais o negócio injeção plástica, estudando, fazendo pós e especialização, assumindo novas funções, trazendo o planejamento estratégico para a estrutura da organização, e assim fui abrangendo mais atividades na empresa”, recorda.
“Meu pai, o presidente fundador, ainda está presente, é ativo. Cuida de uma série de questões relacionadas à fábrica, como aquisição de máquinas e equipamentos, expansão de plantas fabris, mas as atividades das unidades em Manaus estão comigo e equipe”, explica.
A expansão dos negócios foi outra meta alcançada na gestão de Mariana. Hoje, o grupo possui duas unidades em Manaus, uma em João Pessoa (PB), e outra em Itupeva (SP), que atendem os segmentos automotivo, linha branca e eletroeletrônico, como Honda, LG, Climazon Industrial – Midea Carrier, Transire, Yamaha, Daikin, Whirlpool, Salcomp, Movement, entre outras.
A CEO também integra o conselho consultivo na gestão dos resultados das outras plantas, responsável pelo orçamento, indicadores e metas. “O resultado é corporativo e compartilhado”, explica.
A empresa possui mais dois sócios que não trabalham na atividade, Luciana, irmã mais velha, que mora no Canadá, e Vinícius, que é piloto.
A preocupação de Mariana com a administração do grupo é estratégica. “Penso que a empresa precisa se perpetuar. Como uma gestão familiar ou não. Eu entendo que se profissionalizar a gestão a empresa vai continuar como muitas”, explica.
Para a CEO, o maior desafio é a transformação tecnológica, as mudanças do próprio mercado que a empresa precisa acompanhar. “Os clientes talvez não sejam os mesmos, e aí a tecnologia vai mudando, os produtos deixam de existir, novos produtos existirem, e é isso que a gente precisa estar muito atento”, explica ela, com uma das metas para a empresa em 2030.
Com base na matéria-prima em resinas derivadas do petróleo, Mariana busca diversificar essa fonte com investimentos em inovação e utilização de itens da biodiversidade amazônica.
“A gente acredita que pode fazer diferente ao nosso caminho de injeção plástica, a gente investe em práticas ESG, que envolvem questões ambientais, sociais, de governança, e tem um projeto específico que é a descarbonização”, destaca. Esse esforço foi reconhecido no Prêmio Nacional de Inovação/CNI. A empresa venceu na categoria Transição Energética – Descarbonização na edição deste ano.
São projetos que envolvem a utilização do ouriço da castanha incorporado ao plástico, reduzindo o emprego do material de origem fóssil, além do curauá, uma Bromeliaceae específica da Amazônia.
“Tudo isso para tentar diminuir os impactos negativos que o plástico causa na sociedade, no meio ambiente no qual a gente está inserido. Além disso, esses projetos envolvem toda uma cadeia produtiva no interior que gera mais renda e mais possibilidades para as pessoas que estão lá”, destaca.
Com esse objetivo, o grupo criou o Instituto Mawé (Centro de Inovação e Desenvolvimento da Amazônia), para realizar ensaios em laboratórios, unidade que já busca novos horizontes. “Isso é um novo negócio. A gente acredita que isso pode se tornar um negócio em si, que consiga caminhar sem necessariamente caminhar junto com a Tutiplast”, explica.
Esse braço do grupo começou há seis anos com recursos próprios e atualmente recebe também investimentos governamentais para a implantação de uma fábrica, com a aquisição de equipamentos para essa nova linha de produção. A unidade conseguiu aportes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em três projetos inovadores já aprovados.
Mariana destaca que um dos principais desafios da indústria atual é a falta de mão de obra qualificada, especialmente diante das exigências da Indústria 4.0, automação e integração de processos. Para enfrentar esse cenário, a empresa investe na formação técnica, como a criação de um curso de Técnico em Plástico em parceria com o SENAI-AM, já em sua segunda turma.
O perfil dos colaboradores é majoritariamente jovem, com média de idade entre 28 e 32 anos, enquanto os alunos do curso técnico tendem a ser mais velhos devido à necessidade de experiência prévia. Na produção, a força de trabalho é composta por cerca de 60% de homens e 40% de mulheres, sendo o turno noturno exclusivamente masculino por questões de segurança.
Sobre as transformações no mercado de trabalho, Mariana observa que as novas gerações trazem mudanças inevitáveis, como a possível superação da escala 6×1. A empresa já testa novos modelos, buscando equilibrar produtividade com inovação tecnológica, mantendo-se aberta às adaptações exigidas pelo futuro do trabalho.
“A gente tem aí uma geração no mercado de trabalho, talvez, como toda nova geração, traz novos desafios e novas reflexões de como o trabalho deve ser na vida das pessoas”, avalia a empresária.
“A gente começou alguns ensaios para verificar qual é a melhor forma de trabalhar, mas eu entendo que o mundo muda, as coisas mudam”, explica. Para tanto, a empresa procura soluções baseadas na produtividade. “Tem que pesquisar inovação em tecnologia, para que o mundo se adapte às mudanças que as novas gerações vão colocar. É importante estar aberto”.











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