Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 01/06/2026 às 19:29 | Atualizado em: 01/06/2026 às 19:30
O desmatamento no Amazonas caiu quase pela metade em seis anos (47,08%). Em 2019, o estado registrou a derrubada de 6.929 hectares, ao passo que em 2025 reduziu para 3.667 hectares ou aproximadamente 5.136 campos de futebol.
Os dados do MapBiomas registram que o Brasil teve o menor índice de desmatamento nesse período.
Pela primeira vez, desde o início da série histórica, em 2019, o desmatamento no país ficou abaixo de um milhão de hectares (984,7 mil hectares). O valor representa uma redução de 20,6%, em relação a 2024.
Os cinco estados com maior número de alertas de desmatamento em 2025 foram Pará, Bahia, Acre, Ceará e Amazonas, que concentraram mais de 55% de todos os alertas detectados no ano, que equivalem a 32,5% da área desmatada no Brasil.
O município de Lábrea, localizado a 783 quilômetros de Manaus, registrou o maior território desmatado na Amazônia em 2025, uma área de 2.703,43 hectares.
Fronteiras
Segundo o MapBiomas, a boa notícia vem também das duas regiões caracterizadas pela expansão das atividades de agropecuária que se tornaram regiões com grande pressão de desmatamento: Amacro e Matopiba.
A Amacro se encontra na divisa dos três estados amazônicos (Amazonas, Acre e Rondônia), e é considerada a nova fronteira do desmatamento na região.
Nela, houve o registro de queda na área desmatada pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, houve uma redução de 25% no desmatamento, quando comparado a 2024. Foram 3.429 alertas totalizando 68.062 hectares.
Já o Matopiba é uma região composta pelo estado do Tocantins, e parte dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia, onde tem aumentado a expansão da agricultura, principalmente nas porções do bioma Cerrado, nas últimas duas décadas.
Em 2025, cerca de 40% de toda a perda de vegetação nativa no país ocorreu nessa região, totalizando 392.929 hectares.
Contudo, após aumentos consecutivos da área desmatada em 2022 e 2023, os dois últimos anos foram marcados por reduções.
Entre 2024 e 2025, foi registrada uma diminuição de 24% no desmatamento dentro dos limites da região.
Ações
A área ambiental do governo do presidente Lula da Silva considera que as conclusões do Relatório Anual de Desmatamento, do MapBiomas, convergem com os dados oficiais sobre desmatamento no Brasil, produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados indicam queda consistente da supressão de vegetação nativa no país durante os últimos anos.
Na Amazônia, houve redução de 50% em 2025 na comparação a 2022, e no Cerrado, o declínio foi de 32% durante o período.
O governo diz que os números são resultado da implementação dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), que, pela primeira vez, existem para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas de preservação ambiental até 2027.
Também se destacam a intensificação das ações de fiscalização ambiental por meio dos órgãos federais, como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O Ibama, inclusive, trabalha para reunir informações sobre as áreas de supressão de vegetação nativa autorizadas para o cultivo agropecuário.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Brasil Norte Comunicação
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