Mais de 116 mil famílias deixaram Bolsa Família no Amazonas desde 2023 – A Crítica

Governo atribui saída de beneficiários ao aumento da renda; Manaus lidera desligamentos no estado
Pagamento do benefício é realizado pelos municípios, a partir de recursos federais, por meio do Cadastro Único. Mais de 600 mil famílias ainda recebem o Bolsa Família, no Amazonas (Foto: Divulgação)
O governo Lula divulgou, ontem que mais de 116 mil famílias do Amazonas deixaram o Bolsa Família entre março de 2023, quando o programa foi retomado, e maio de 2026. A política de transferência de renda continua como uma das principais pautas da gestão petista a mais de 100 dias da eleição presidencial.
Segundo o governo, as famílias que deixaram o programa no estado saíram da pobreza por terem conseguido um emprego de carteira assinada ou por empreenderem. Os beneficiários tiveram a renda acima do limite da Regra de Proteção ou já cumpriram o prazo previsto para permanência nessa modalidade.
Somente em maio de 2026, mais de 4,4 mil famílias amazonenses deixaram o programa social. Manaus foi o município com maior número de desligamentos no período, com 1,7 mil famílias, seguido por Manacapuru (164), Autazes (142), Itacoatiara (140) e Lábrea (140).
Parintins (124), Manicoré (119), Iranduba (118), Maués (102) e Tefé (83) completam a lista dos dez municípios com mais famílias que superaram a pobreza no Amazonas e deixaram o Bolsa Família.
A economista Denise Kassama afirma que a saída de beneficiários do programa é um sinal de melhora na economia. “Isso é o reflexo de uma melhora da economia, e não é só no Amazonas que está acontecendo. A gente sabe que as políticas públicas são extremamente importantes aqui, onde principalmente a realidade do interior é muito difícil”, diz.
A avaliação é compartilhada pela economista e doutora em Desenvolvimento Regional, Michele Aracaty. Segundo ela, a saída de beneficiários do programa gera o que é chamado de reação em cadeia. “Por quê? Porque representa uma redução da dependência estatal. Nós temos o fomento do mercado de trabalho, ou seja, isso ajuda a preencher vagas, reduzindo o que nós temos como apagão de mão de obra, principalmente nos setores do comércio e do serviço, e fortalece também o consumo local”, pontua.
Criada no novo desenho do Bolsa Família, a Regra de Proteção garante uma transição segura para famílias que aumentam a renda. Mesmo após superar o limite de R$ 218 por pessoa da família, elas podem continuar recebendo 50% do benefício por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita permaneça abaixo de R$ 706.
“O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
Dados do Caged cruzados com o Cadastro Único mostram que 80% das vagas com carteira assinada criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por inscritos no CadÚnico.
“Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, afirmou Wellington Dias.
Estudo da FGV Social aponta ainda que a renda do trabalho das pessoas mais pobres cresceu 10,7% em 2025, acima da média nacional, impulsionada pela geração de empregos formais e pela Regra de Proteção do programa.
Em maio, 608.691 famílias em todos os 62 municípios do Amazonas foram contempladas com o Bolsa Família. Para isso, o investimento do governo no estado supera R$ 440,8 milhões. O valor garante um benefício médio de R$ 724,98.
No mês passado, o Bolsa Família alcançou no Amazonas, em seu grupo prioritário e específico, 3 mil famílias com pessoas em situação de rua, 77,2 mil com pessoas indígenas, 4,5 mil com quilombolas, 116 com crianças em situação de trabalho infantil, 767 com pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo e 15,3 mil com catadores de material reciclável.
o com maior número de beneficiários no Amazonas neste mês, com 239,6 mil famílias atendidas. Na sequência das cidades com maior número de famílias atendidas estão Parintins (20.735), Manacapuru (20.185), Itacoatiara (15.675) e Autazes (15.130).
Santo Antônio do Içá é o município amazonense com maior valor médio de benefício: R$ 876,08 neste mês. Em seguida aparecem São Gabriel da Cachoeira (R$ 846,57), Jutaí (R$ 844,45), São Paulo de Olivença (R$ 832,82) e Atalaia do Norte (R$ 818,93).
Em todo o país, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após ampliarem a renda familiar. Os maiores números foram registrados em São Paulo (745,6 mil), Distrito Federal (546 mil), Bahia (487,6 mil), Minas Gerais (430,2 mil) e Rio de Janeiro (393,7 mil).
Entre as capitais brasileiras, São Paulo registrou o maior número de famílias deixando o programa por aumento da renda em maio de 2026, com 7.312 desligamentos. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896).
O programa de transferência de renda chegou a 49,57 milhões de pessoas, com um benefício médio de R$ 678,01 por domicílio. O investimento federal foi de R$ 12,9 bilhões neste mês.

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