Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 26/05/2026 às 15:06 | Atualizado em: 26/05/2026 às 15:06
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Omar Aziz (PSB-AM) aproveitaram a solenidade de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, nesta segunda-feira (25 de maio), em Manaus, para transformar o ato político em fortes críticas indiretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao legado de sua gestão no Amazonas.
Sem citar nominalmente Bolsonaro, Lula afirmou que o país não fica bom porque de vez em quando se elege alguém que não tem compromisso com nada. Disse isso em referência a governantes que, segundo ele, ignoram a população pobre e só se aproximam dela durante períodos eleitorais.
“O povo pobre trabalhador é tratado como se fosse invisível. Só na época da eleição é que pobre vira importante”, declarou o presidente diante de autoridades e beneficiários do programa habitacional.
“O Brasil já poderia estar muito melhor, mas o Brasil não fica bom porque de vez em quando a gente elege alguém que não tem nenhum compromisso com nada. São pessoas que exercem o mandato, mas nunca conversaram com vocês, que nunca viram vocês e tampouco ligando para o povo pobre porque o povo pobre trabalhador é tratado como se fosse invisível. Ninguém quer enxergar”, discursou Lula.
E prosseguiu o presidente:
“Só na época da eleição é que pobre vira importante. Na época da eleição, o pobre é mais importante do que o rico porque o pobre é maioria e tem voto. Então, é importante que vocês saibam que na hora de decidir o destino desse país, dessa cidade, desse estado, vocês têm que se comportar com muita maturidade e com muita seriedade”, enfatizou o presidente da República.
Discurso simbólico
O discurso de Lula ocorre em um cenário politicamente simbólico. Bolsonaro venceu no Amazonas nas eleições presidenciais de 2018 e voltou a conquistar ampla votação em Manaus em 2022. Lula, porém, conseguiu equilibrar a disputa ao vencer em grande parte do interior amazonense, ampliando sua presença política fora da capital.
Dessa forma, a fala de Lula buscou justamente reforçar essa conexão com as camadas populares e marcar diferença entre modelos de governo. Lula defendeu que o eleitorado tenha maturidade e seriedade ao escolher seus representantes e associou políticas públicas, como habitação e infraestrutura, à presença efetiva do Estado.
Omar endurece discurso
Se Lula optou por críticas indiretas, Omar Aziz elevou ainda mais o tom político ao comparar diretamente a atual agenda presidencial com o comportamento do ex-presidente Bolsonaro durante visitas ao Amazonas.
“O presidente está vindo aqui hoje no Amazonas não é para andar de moto e nem para andar de jet-ski, vem trabalhar, vem fazer investimentos”, afirmou o senador, em uma das falas mais contundentes do evento.
A declaração faz referência às motociatas e passeios de jet-ski protagonizados por Bolsonaro durante agendas no estado ao longo do mandato (2019-2022). Omar utilizou a comparação para destacar o anúncio de investimentos federais em habitação, infraestrutura e logística.
O senador também atacou a paralisação do programa Minha Casa, Minha Vida durante a gestão de Bolsonaro. Segundo ele, os governos petistas entregaram cerca de 60 mil moradias no Amazonas em parceria com administrações estaduais, enquanto não se construiu uma casa sequer no período posterior.
“Quem tem sensibilidade, acolhe. Quem tem visão política faz e acontece. Quem não tem, só é conversa fiada para ofender os outros”, afirmou Aziz.
Disputa no Amazonas
O evento desta segunda reforça o movimento do Palácio do Planalto de consolidar presença política no Amazonas por meio de entregas de obras e retomada de programas sociais.
Além das moradias, Lula participou de agendas relacionadas à BR-319 e ao porto de Manaus, considerados estratégicos para a integração logística da região.
Nos bastidores, aliados avaliam que a ofensiva política busca reduzir a força do bolsonarismo na capital amazonense e fortalecer a narrativa de retomada de investimentos federais no estado.
Lula x bolsonarismo
Ao transformar uma entrega habitacional em palanque político, Lula e Omar sinalizaram que a disputa eleitoral de 2026 já começou também no Amazonas, estado que segue sendo um dos territórios mais disputados da política nacional.
Em 2018, Bolsonaro venceu no Amazonas, quando o candidato do PT a presidente era Fernando Haddad. Já em 2022, Lula ganhou no Amazonas (por causa do interior), mas Jair Bolsonaro teve mais votos em Manaus. Logo, a capital amazonense ainda é considerada “terrivelmente bolsonarista”.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasil Norte Comunicação
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