Enquanto presidente reduz rejeição na capital, forças políticas do estado procuram conquistar atenção do petista
Foto: Junio Matos
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Manaus, em meio à melhora de sua popularidade e ao desgaste de Flávio Bolsonaro com os áudios do caso Master, mostrou um presidente em condições de desafiar o rótulo de capital bolsonarista associado à cidade, que, em 2022, deu 61,28% dos votos a Jair Bolsonaro.
Pesquisas recentes não só apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em Manaus, como o posicionamento de lideranças durante a visita reforça a leitura de mudança no cenário. Na Ipen, o atual presidente aparece com 34,5% do votos contra 35,3% para Flávio Bolsonaro, além de uma popularidade de 41,% no Amazonas, somando ‘ótimo’ e ‘bom’.
Na Pontual Pesquisas divulgada na sexta-feira, Flávio aparece com 42,4% em Manaus, enquanto Lula soma 36,6%, uma diferença de 5,8 pontos, bem menor que os 22,56 pontos que separaram Lula e Bolsonaro na capital nas eleições de 2022. No estado, o presidente aparece à frente com 43,7% contra 37,2% para Flávio.
Além dos aliados tradicionais, Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), o petista viu nomes como o governador Roberto Cidade (União) e o prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), bem como deputados, vereadores, prefeitos e empresários disputarem espaço ao seu redor nas agendas.
BR-319
Um elemento mais concreto que ajuda a explicar essa convergência é a própria entrega de Lula no estado: o início das obras no trecho do meio da BR-319. A pauta, sensível, virou bandeira obrigatória para os políticos, dada a força dessa demanda junto à maior parte da população.
Um exemplo desse cenário ocorreu na quarta-feira (27), quando Roberto Cidade, sentado ao lado de Lula em uma agenda, se posicionou para uma foto após a assinatura das obras da BR-319. Omar Aziz, pré-candidato ao governo e atuante em Brasília pela recuperação da estrada, demonstrou irritação e se colocou à frente de Cidade na imagem.
No dia anterior, Lula já havia conversado com Roberto Cidade sobre uma reintegração de posse marcada para ocorrer nesta semana na comunidade Nova Jerusalém, pedindo a ele que intervisse. O governador fez questão de contar a história de público e elogiar o petista pela sua “sensibilidade”.
Renato Júnior, que ocupou a prefeitura após o ex-prefeito David Almeida (Avante) renunciar para concorrer ao governo, também fez questão de acompanhar Lula de perto em todas as agendas. Na terça-feira (26), quando Lula aconselhava uma jovem a fazer o Enem, o prefeito interviu e disse que o município daria uma bolsa de estudos a ela.
Pontes
O CEO da Pontual Pesquisas, Eric Barbosa, avalia que a proximidade de políticos com o presidente Lula está mais relacionada à busca por recursos do que propriamente pela eleição de outubro.
Enquanto não vê interesse real de Cidade e Renato Júnior em dividirem palanques com Lula, o analista observa que interessa ao presidente a boa relação com esses nomes. “O Lula está seguindo a cartilha daquele que quer o apoio de todos. Em uma eleição polarizada, apertada, o cálculo é de que um a mais está somando. Se tem o apoio de todos, a perda é menor”, comenta.
Outro ponto que favorece Lula neste momento é o caso do Banco Master, especialmente o áudio que mostra o senador Flávio Bolsonaro pedindo pagamentos para o filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro. “Nossa pesquisa mostra que isso pegou muito mal para o Flávio Bolsonaro e também para a Maria do Carmo, pré-candidata do campo bolsonarista no estado”, avalia.
Jantar
Lula também foi a atração de um jantar realizado na noite de terça-feira com mais de 350 convidados, entre empresários, prefeitos, parlamentares e pré-candidatos nas eleições deste ano. Nos bastidores, a avaliação é de que o encontro serviu para fortalecer a relação do petista com as autoridades locais e renovar apoios a pouco mais de 100 dias da eleição.
Visita ocorreu sem barulho
Na cidade há muito tempo associada ao bolsonarismo, não houve grandes mobilizações contra a presença do petista. O movimento Direita Amazonas estendeu uma faixa de “Fora Lula” na avenida Mário Ypiranga, que chegou a registrar buzinaços, mas não avançou além disso.
As críticas ficaram concentradas nas redes sociais, como em vídeo publicado pela pré-candidata ao governo Maria do Carmo Seffair, que afirmou que Lula já viajou para mais de 40 países e fez “só quatro visitas ao Amazonas”.
O único ato que de fato gerou algum impacto foi a paralisação do transporte coletivo convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos associados, mas que durou pouco e foi apresentado como apoio a Lula pela defesa do fim da escala 6×1.












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