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MERCADO DE SMARTPHONES
Redação SpaceMoney
A fabricante chinesa vivo Mobile chegou ao Brasil em 2025 como a quinta maior produtora de smartphones do mundo — e precisou abandonar o próprio nome para operar no país. O conflito com a marca da operadora de telecom espanhola Vivo forçou a empresa a adotar a identidade JOVI, batismo que, por coincidência favorável, ressoou positivamente entre consumidores brasileiros como símbolo de juventude e tecnologia.
Em apenas um ano de operação, a JOVI ampliou em cinco vezes a capacidade produtiva de sua planta na Zona Franca de Manaus, saltando de 100 mil para 500 mil aparelhos por ano. A empresa estruturou mais de mil funcionários, nove escritórios regionais e presença em mais de 1.800 pontos de venda no território nacional. Dois endereços físicos próprios — em São Paulo e Curitiba — complementam a rede de distribuição.
A companhia comercializa oito modelos, com preços entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. A estratégia evita o segmento de entrada — onde a competição por margem é mais destrutiva — e concentra esforços no intermediário premium. O lançamento mais recente, o T1 5G, adotou estratégia ‘digital first’ com vendas iniciadas exclusivamente no Mercado Livre.
A JOVI conduziu mais de quatro mil entrevistas individuais com consumidores brasileiros para mapear preferências locais. O resultado: aproximadamente 40% dos aparelhos vendidos no país têm adaptações específicas, incluindo baterias de maior capacidade, câmeras frontais reforçadas e ajustes de especificações técnicas. ‘A gente acompanhamos até a jornada completa do usuário para entender como ele usa o smartphone ao longo do dia’, disse André Varga, diretor de produtos da JOVI no Brasil.
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Pesquisa da Ipsos encomendada pela JOVI indica que 69% dos brasileiros já têm visão positiva sobre produtos chineses e 74% acreditam que a qualidade melhorou nos últimos cinco anos. O dado sustenta a tese da empresa de que a barreira de imagem — historicamente o maior obstáculo dos fabricantes asiáticos no mercado nacional — está sendo superada. ‘A percepção deixou de ser sobre preço e passou a ser sobre inovação e performance’, afirmou Varga.
O mercado brasileiro de smartphones é dominado pela Samsung, com 45% de participação, seguida por Motorola (30%), Apple (7%) e Xiaomi (7%). A JOVI não divulga sua fatia atual, mas a trajetória em outros mercados serve de referência: na Índia, a vivo Mobile levou sete anos para alcançar a liderança; na China, figura consistentemente entre as líderes do setor.
O avanço da JOVI ocorre em cenário adverso. Dados da IDC apontam retração de 11,5% nas vendas de smartphones no Brasil em 2026 — mesmo patamar de queda registrado no ano anterior. O vetor principal é o salto global nos preços de componentes, especialmente chips de memória, que pressiona os preços ao consumidor final. Para análise mais ampla sobre o impacto de indicadores globais na macroeconomia brasileira, o contexto de encarecimento de insumos tecnológicos é fator de atenção crescente.
A empresa monitora marketplaces e atua junto a varejistas para retirar de circulação produtos sem certificação. ‘100% dos produtos que vendemos são certificados pela Anatel’, disse Ray Yang, CMO global da JOVI. A declaração posiciona a marca em contraste direto com parte da participação da Xiaomi no país, que inclui aparelhos oriundos de contrabando, segundo fonte do setor.
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