J&F entra na mira de bloqueio de R$ 304 milhões da Oliveira Energia – MegaWhat

Início Economia e Política Empresas
Recebíveis por ativos
Natália Bezutti
A Justiça do Amazonas determinou a retenção de até R$ 304,4 milhões em créditos que possam ser devidos à Oliveira Energia por empresas envolvidas nas operações de transferência de ativos da companhia, entre elas a J&F, a Futura Venture Capital e o FIP Infraestrutura Milão.
A medida foi concedida no âmbito de uma execução movida por antigos financiadores da empresa e teve como um dos fundamentos as recentes aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para as transações envolvendo a Amazonas Energia, a Roraima Energia e outros ativos do grupo.
A decisão foi proferida pelo juiz Roberto Santos Taketomi, da 2ª Vara Cível de Manaus, em ação movida pela Construtora Amazônidas, Eládio Messias Cameli e Solienergy Participações.
Os autores cobram uma dívida atualizada de R$ 276,8 milhões decorrente de contratos de mútuo celebrados entre 2018 e 2020, que, segundo sustentam, foram fundamentais para viabilizar a aquisição da Amazonas Energia pela Oliveira Energia. Com os honorários advocatícios provisórios fixados em 10%, o valor total da execução alcança R$ 304,4 milhões.
A decisão não bloqueia diretamente recursos da J&F ou das demais empresas. O que o magistrado determinou foi a retenção de eventuais créditos presentes ou futuros devidos à Oliveira Energia no âmbito dessas operações societárias, até o limite necessário para garantir a execução.
Pela decisão, J&F, Futura Venture Capital e FIP Infraestrutura Milão deverão informar à Justiça, em até 15 dias, a existência de créditos, obrigações de pagamento, cronogramas de desembolso ou compensações financeiras em favor da Oliveira Energia.
Caso existam valores a serem pagos à companhia, eles deverão ser retidos e depositados judicialmente até o limite da dívida executada.
A execução teve início com a cobrança dos contratos de mútuo firmados entre os credores e a Oliveira Energia. Após ser citada, a empresa não efetuou o pagamento da dívida e apresentou como garantia uma carta de fiança fidejussória emitida pela Actual Risk S.A.
Os credores contestaram a validade da garantia, argumentando que a emissora não é instituição financeira nem seguradora autorizada a operar pelo Banco Central ou pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Ao mesmo tempo, solicitaram a penhora de créditos que a Oliveira Energia eventualmente teria a receber das operações de alienação de ativos que vêm sendo conduzidas pela companhia.
O tema chegou ao Tribunal de Justiça do Amazonas por meio de um agravo de instrumento. Em decisão liminar, o relator determinou a imediata tentativa de penhora de créditos da Oliveira Energia perante a Âmbar Energia, por entender que havia risco de frustração da execução diante do processo de desinvestimento em curso.
Ao ser intimada, a Âmbar alegou que não possuía créditos líquidos, certos ou exigíveis em favor da Oliveira Energia. Contudo, em sua manifestação, detalhou a estrutura das operações societárias e informou que as transações envolvendo Amazonas Energia e Roraima Energia teriam como participantes empresas como J&F, Futura Venture Capital e FIP Infraestrutura Milão.
Notícias Relacionadas

Negócios
Aggreko negocia compra de seis termelétricas da BBF no Amazonas
A Brasil Bio Fuels (BBF) está estruturando uma nova venda de participação em ativos de geração de energia como parte das medidas adotadas em seu processo de recuperação judicial. Desta vez, a companhia negocia um acordo com a Aggreko para a alienação de participação em seis usinas termelétricas localizadas no Amazonas, atualmente vinculadas ao Consórcio […]

Mercado livre
Cade vê cautela em regra para separar distribuidoras e comercializadoras
As regras em análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para restringir vantagens de comercializadoras ligadas a distribuidoras no varejo de energia não foram rejeitadas, mas não receberam aval direto do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em nota técnica conjunta, o órgão antitruste afirmou que a agência pode usar a área de concessão […]
Para o magistrado, essas informações permitiram identificar quem seriam os potenciais devedores dos valores decorrentes das operações e justificaram a ampliação da medida para alcançar diretamente essas empresas. Segundo a decisão, a penhora de créditos perante terceiros não significa transferir a dívida à J&F ou aos demais envolvidos, mas apenas impedir que eventuais valores devidos à Oliveira Energia sejam pagos diretamente à companhia antes da garantia da execução.
Entre os argumentos apresentados, as empresas apontaram que as operações ainda dependeriam de aprovações regulatórias, impedindo a caracterização de créditos exigíveis.
Na decisão, o juiz destaca que esse cenário mudou após a Superintendência-Geral do Cade aprovar, sem restrições, as operações relacionadas à transferência dos ativos. Entre elas estão a aquisição de participações ligadas à Amazonas Energia e de termelétricas controladas pela Oliveira Energia, além da operação envolvendo a Roraima Energia.
Para o magistrado, a aprovação concorrencial implementou a condição suspensiva prevista nos negócios e afastou a tese de que os créditos seriam meramente potenciais ou ainda dependentes de autorização regulatória para produzir efeitos. Isso reforçaria o risco de que recursos eventualmente devidos à Oliveira Energia fossem transferidos antes de atender os credores.
A decisão ressalta que a medida não interfere na validade das operações aprovadas pelo Cade nem impede a transferência dos ativos, mas garantir que eventuais pagamentos à Oliveira Energia sejam preservados até a definição do processo executivo.
A Oliveira Energia ainda tentou substituir a constrição sobre os recebíveis por outros bens. A companhia ofereceu imóveis industriais em Manaus, sua participação de 86,4% na Indústria de Transformadores Amazonas (Itam) e imóveis pertencentes à controlada.
O pedido foi rejeitado, uma vez que os ativos ofertados possuem liquidez significativamente inferior aos créditos em dinheiro buscados pelos credores.
A decisão também destaca que um dos imóveis apresentados possui hipoteca registrada em favor da Caixa Econômica Federal, o que reduziria sua adequação como garantia da execução.
A Oliveira Energia também discute a cobrança em embargos à execução, nos quais questiona a exigibilidade do crédito e sustenta que houve amortizações relevantes ao longo da relação entre as partes.
No entanto, o juiz observou que esses embargos não receberam efeito suspensivo. Com isso, a execução continua tramitando normalmente e pode avançar com medidas destinadas a localizar e preservar ativos capazes de garantir eventual pagamento aos credores.
Além da retenção dos créditos, a decisão determina que Oliveira Energia, J&F, Futura Venture Capital e FIP Infraestrutura Milão apresentem ao processo os contratos, memorandos de entendimento, aditivos e demais documentos relacionados às operações de transferência.

Newsletter
Um resumo diário do mercado de energia com as principais notícias, a agenda das autoridades, eventos do dia e o podcast MinutoMega.
As mais lidas
Ver mais
Notícias do dia
Empresa de data centers anuncia complexo para IA de R$ 30 bi no interior de SP – Edição do dia
Confira as notícias mais relevantes veiculadas na imprensa no MegaExpresso, nosso clipping diário disponível para assinantes.

Pedido de RJ
Electra pede RJ com dívida de R$ 1,3 bi e busca proteção na CCEE

Consórcios ION
Aneel não habilita 1,7 GW da EPP no LRCap mesmo após negociação com J&F

Pedido de RJ
Em operação balanceada, Diferencial entra com pedido de RJ após contraparte abrir contrato

Tarifa quase dobra
Light reverte liminar e volta a aumentar tarifa de energia
Resumo diário de energia: notícias, agenda, eventos e podcast MinutoMega.
Mais Notícias
Ver mais
Negócios
Comerc avalia saída de PPPs de iluminação pública para redirecionar recursos
A Comerc está em processo de saída de dois projetos de iluminação pública desenvolvidos no modelo de parcerias público-privadas (PPPs). A movimentação ocorre por meio da venda da participação de 60% detida pela Nexway Comércio e Prestação de Serviços em Energia, empresa do grupo, nas sociedades Ilumina Itatiba e Ilumina Toledo.  Atualmente, a Nexway possui […]
Ver mais
Em Jundiaí
Aneel vai fiscalizar retificação de parecer de acesso da Scala Data Centers
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou um processo de fiscalização sobre a retificação do parecer de acesso do projeto da Scala Data Centers em Jundiaí. Mesmo tendo respondido aos questionamentos enviados por ofício, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) entendeu que o efeito foi além do que se consignou em resposta. A […]
Ver mais
Déficit de potência
Risco de blecaute continua alto mesmo após LRCap de março, diz ONS
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que, mesmo após a contratação de 18.977 MW de potência no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, o sistema elétrico brasileiro ainda não atende integralmente aos critérios de segurança no suprimento definidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para o horizonte de planejamento até 2030. De […]
Ver mais
Leilões
Governança permitiu recalibrar preços do LRCap em 72 horas, diz MME
O Ministério de Minas e Energia (MME) defendeu nesta segunda-feira, 2 de junho, a decisão de elevar os preços de referência do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) realizado em março e atribuiu a rápida revisão dos valores à governança técnica da pasta. De acordo com o secretário-executivo da pasta, Gustavo Ataide, a recalibração das […]
Ver mais
Armazenamento
Aneel aprova regra para baterias e afasta tarifa dupla em casos com despacho pelo ONS
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 2 de junho, a regulamentação para sistemas de armazenamento de energia elétrica, incluindo uma regra específica para afastar a cobrança de tarifa fio dupla de sistemas autônomos que aceitarem ser integralmente despachados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), tanto no carregamento quanto […]
Ver mais
Recursos
BNDES capta R$ 1 bilhão com banco espanhol para financiar projetos verdes no Brasil
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) captou R$ 1 bilhão junto ao Instituto de Crédito Oficial (ICO) da Espanha para financiar projetos verdes e sustentáveis no Brasil. Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a parceria representa um avanço importante na cooperação internacional da instituição. “A nova operação com o ICO reforça […]
MegaWhat © 2026 Todos os direitos reservados.
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você está ciente dessa funcionalidade. Política de privacidade

source

Deixe o Seu Comentário

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM

Vagas de emprego em São Paulo - SP

Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
Últimas Notícias
error: Content is protected !!