Início » Política » Influenciadores ganham força como puxadores de voto no Amazonas
Desde as eleições de 2018, as redes sociais passaram a demonstrar força na influência do eleitorado, com potencial de impactar e até definir resultados eleitorais. Nesse cenário, candidatos buscam o apoio de influenciadores digitais como estratégia para ampliar alcance, gerar engajamento e conquistar votos.
Essa prática se consolidou como parte do marketing político. Com presença online expressiva, criadores de conteúdo utilizam linguagem direta para dialogar com públicos específicos e apresentar pautas e ações de parlamentares.
Influência digital amplia alcance eleitoral
Para o cientista político Helso Ribeiro, diversos fatores influenciam a decisão do eleitor, e o ambiente digital passou a ter papel relevante nesse processo. Segundo ele, influenciadores reúnem grandes audiências nas redes, o que amplia o alcance das mensagens.
“Numa eleição são múltiplos os fatores que levam um eleitor a votar num determinado candidato. Às vezes, um amigo chega e pede para votar em alguém, a pessoa não tem candidato, está indecisa e vota naquele candidato. Quando partimos para os influenciadores digitais, eles têm uma penetração em um universo muito grande das redes sociais e conseguem sim influenciar muitos votos”, afirma.
No entanto, Ribeiro ressalta que o número de seguidores não garante adesão total às indicações políticas.
“Não quer dizer que todas as pessoas que sigam determinado influenciador votarão naqueles que eles apoiam, mas da mesma forma que um amigo consegue direcionar um voto, um influenciador consegue direcionar muitos votos. Isso faz parte da estratégia do marketing dos candidatos”, completa.
Limites legais e fiscalização
O cientista político Carlos Santiago destaca que a atuação de influenciadores nas eleições possui restrições legais.
“Por não ter amparo legal, influenciadores digitais não podem ser remunerados por partidos políticos e por candidatos nas eleições. Não poderão inclusive, no período eleitoral, fazer impulsionamento de suas posições políticas”, explica.
Além disso, ele afirma que a regra evidencia o impacto desses profissionais no processo eleitoral.
“Isso demonstra a força e o impacto no conhecimento do eleitorado desses profissionais de comunicação que usam as redes sociais. Mas, como cidadãos, eles podem pedir votos para os seus candidatos preferidos, só não podem promover acusação e também distribuir fake news”, afirma.
Uso de canais digitais e desafios
Carlos Santiago também aponta desafios na fiscalização do uso das redes durante o período eleitoral.
“Muitos influenciadores, para fugir da rigidez da Justiça Eleitoral, buscam no jornalismo um meio para se comportar como profissional da comunicação. Com blogs e sites, produzem conteúdos para atacar adversários como se fosse matéria jornalística”, diz.
Ele acrescenta que essa prática ocorre em diferentes regiões.
“Isso é muito utilizado no país inteiro, inclusive no Amazonas. Pessoas que trabalham na comunicação, com ou sem diploma, criam pequenos portais e, no período eleitoral, acabam sendo utilizados para atacar adversários”, afirma.
Por outro lado, ele avalia mudanças no comportamento do público.
“No entanto, a sociedade tem amadurecido com relação a isso e buscado entender quem é quem nesse jogo de narrativas políticas”, conclui.
O que pode e o que não pode
A legislação eleitoral estabelece regras para a atuação de influenciadores digitais durante campanhas:
Não podem ser contratados ou pagos para fazer propaganda eleitoral
Não podem publicar “publis” pedindo votos
Podem manifestar apoio ou crítica apenas como cidadãos, de forma espontânea
Não podem impulsionar ou monetizar conteúdo político
Apenas candidatos, partidos e coligações podem impulsionar propaganda oficial
Esse cenário cria um duplo desafio. Por um lado, campanhas buscam apoio espontâneo de influenciadores. Por outro, a Justiça Eleitoral precisa coibir práticas irregulares, como propaganda disfarçada.
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Tags: Eleições, influenciadores digitais, Marketing político, política brasileira, redes sociais
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