Setor produtivo alerta para aumento de custos e dificuldade de adaptação, enquanto sindicatos e especialistas defendem ganhos em qualidade de vida e produtividade
O comércio é um dos segmentos que serão afetados pela eventual redução da jornada semanal de trabalho de 6×1 para 5×2 (Foto: Daniel Brandão)
Empresários e representantes dos trabalhadores divergem sobre os impactos do possível fim da escala 6×1 no Amazonas. Enquanto entidades do setor produtivo alertam para aumento de custos operacionais e dificuldades de adaptação, sindicatos e especialistas defendem ganhos em qualidade de vida, produtividade e geração de empregos.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que prevê a redução da jornada semanal de trabalho, voltou a avançar em Brasília nesta semana. Caso seja aprovada, a medida deve impactar diretamente 130.618 trabalhadores amazonenses que atualmente atuam na escala 6×1 e passariam para o modelo 5×2. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram ainda que 334.514 trabalhadores do estado já atuam na escala com dois dias de folga semanal, o equivalente a 71,92% do total identificado.
Para a economista Denise Kassama, mudanças na legislação trabalhista historicamente costumam gerar resistência inicial, mas acabam sendo absorvidas pela economia brasileira.
Segundo ela, a redução da jornada pode gerar ganhos de produtividade e qualidade de vida para os trabalhadores. “Um dia a menos de trabalho para a maioria das categorias pode significar custos adicionais para o empresário, mudança de escalas de trabalho, mas, por outro lado, ele pode ganhar em qualidade e produtividade”, afirmou.
A economista avalia ainda que trabalhadores mais descansados tendem a apresentar menor índice de faltas e licenças médicas, além de melhor desempenho profissional. Ela também aponta possível impacto positivo no comércio e no setor de serviços, já que os trabalhadores teriam mais tempo livre para lazer e consumo.
Já representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os impactos da proposta em segmentos que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, indústria, bares e restaurantes.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, a discussão ainda carece de medidas estruturais que garantam viabilidade econômica para as empresas.
Segundo ele, os impactos tendem a ser maiores em setores intensivos em mão de obra e compostos majoritariamente por pequenas e médias empresas.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM) também defende cautela. O presidente da entidade, Franco Andrade, afirmou que o setor depende de funcionamento em fins de semana e feriados, períodos considerados de maior movimento para os estabelecimentos.
A Associação Comercial do Amazonas (ACA) defende uma transição gradual para eventuais mudanças na jornada de trabalho. O presidente da entidade, Bruno Loureiro Pinheiro, destacou que o Amazonas enfrenta desafios logísticos e econômicos diferentes de outras regiões do país.
“Nossa dependência de modais aéreos e fluviais, somada à importância estratégica da Zona Franca de Manaus, impõe custos que não existem no Sudeste”, afirmou.
Segundo ele, a ACA propõe prazos diferentes de adaptação para cada setor econômico, além de medidas de desoneração da folha de pagamento e incentivo à automação.
Já representantes dos trabalhadores defendem que a mudança pode gerar novos postos de trabalho e reduzir problemas relacionados à saúde ocupacional.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Amazonas, Valdemir Santana, afirmou que a redução da jornada semanal poderia gerar cerca de 35 mil empregos no estado.
Enquanto o debate avança no Congresso Nacional, representantes de trabalhadores e do setor produtivo no Amazonas defendem que eventuais mudanças considerem tanto a qualidade de vida dos empregados quanto a capacidade de adaptação das empresas.











Deixe o Seu Comentário