Festival do Parque Dez mobiliza mil pessoas antes da abertura – A Crítica

Patrimônio cultural de Manaus, arraial reúne centenas de trabalhadores nos bastidores e começa nesta quarta-feira (4)
Arraial do Parque Dez foi oficialmente blindado por lei municipal como Patrimônio Material e Imaterial de Manaus (Foto: Junio Matos)
Antes das quadrilhas entrarem em cena e do cheiro de comida típica tomar conta do Complexo Social Urbano (CSU) do Parque Dez, dezenas de pessoas trabalham diariamente para transformar o espaço em uma espécie de “cidade junina”. Com mais de 40 anos de história, o Festival Folclórico do Parque Dez é considerado um dos arraiais mais tradicionais de Manaus e já se tornou Patrimônio Cultural da capital.
Ao longo das décadas, o evento se fortaleceu como um símbolo da cultura popular manauara, reunindo apresentações folclóricas, quadrilhas, danças regionais, comidas típicas e parque de diversões. O coordenador do evento, Altemar Botelho, conta que, antes do público ocupar os corredores do CSU, existe uma força-tarefa que trabalha nos bastidores para garantir que tudo funcione durante os 30 dias de programação.
“É uma megaestrutura. A gente trabalha há mais de um mês na organização do festival. Todo ano fazemos um projeto diferente e, este ano, por causa da reforma do CSU, tivemos que adaptar todo o formato do evento para o anfiteatro”, explicou Botelho.
Segundo ele, o arraial movimenta centenas de trabalhadores diretos e indiretos, além de gerar renda para comerciantes e ambulantes. Enquanto muitas famílias buscam o local para lazer durante a temporada junina, outras famílias garantem uma renda extra durante os dias de evento.
“Trabalhamos com mais de 200 barraqueiros, além das equipes de produção, permissionários fixos, parque de diversão, infláveis e trabalhadores indiretos. Ao todo, beira mil pessoas envolvidas”, destacou.
Neste ano, o 44º festival, que começaria no dia 28 de maio, precisou ser adiado por causa das fortes chuvas em Manaus, que atrapalharam as montagens. O evento será realizado entre os dias 4 de junho a 5 de julho. Uma semana antes da abertura, os corredores do CSU ainda estão em obras, com fios pelo chão, estruturas sendo montadas, barracas em acabamento e equipes trabalhando para deixar tudo pronto para o início oficial.
“Agora a gente está na reta final da fiação de todas as barracas. Nós temos eletricistas trabalhando direto no festival justamente para evitar qualquer acidente. O Corpo de Bombeiros, junto com os bombeiros civis, também acompanha diariamente toda a estrutura”, afirmou Altemar.
De acordo com o organizador, a logística do evento também envolve órgãos públicos e equipes de segurança para garantir organização e fluidez no trânsito durante o período do festival. Localizado no bairro Parque Dez de Novembro, na zona Centro-Sul de Manaus, o evento acaba mexendo também no trânsito no entorno.
Altemar Botelho, coordenador do evento (Foto: Junio Matos)
“O Immu faz toda a organização do trânsito porque a entrada aqui é estreita. Tem apoio da Polícia Militar, Guarda Municipal, bombeiros e segurança particular para garantir tranquilidade para quem trabalha e para o público”, explicou Botelho.
o evento para a preservação das tradições populares e da identidade cultural da capital amazonense.
Altemar Botelho adiantou que a programação do arraial deste ano deve reunir mais de 300 apresentações, com boi-bumbá, cirandas, quadrilhas tradicionais e cômicas, além de danças regionais e internacionais. O evento acontecerá sempre das 18h à meia-noite.
“O público vai passar um mês inteiro aproveitando o festival”, garantiu Altemar.
Além da dimensão estrutural, Altemar destaca que o festival carrega também memórias especiais para moradores do Parque 10 e de outras zonas da cidade. O evento surgiu em 1981 e atravessou gerações mantendo viva a tradição dos festejos populares no bairro.
“O festival tem uma tradição muito forte. O Parque 10 é privilegiado por ter um espaço como o CSU. Aqui já tivemos festival folclórico, festival de verão, bloco das piranhas. Tudo isso faz parte da história do bairro”, relembrou o coordenador.
Assim, o evento ganhou ao longo dos anos reconhecimento oficial pela sua importância cultural. Em 2025, duas leis municipais reforçaram esse valor: a Lei Municipal nº 3.459, de 3 de janeiro de 2025, incluiu o festival no Calendário Oficial da Cidade de Manaus, garantindo a realização anual do evento no período junino.

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