Especialista critica mobilidade urbana de Manaus e propõe alternativas para a cidade – Amazonas1

(Foto: Maxwell Oliveira e Luiz Albuquerque (drone)/ Implurb)
Manaus (AM) – A mobilidade urbana vai muito além do trânsito de carros, motos e ônibus. A avaliação é do engenheiro de transportes e professor Geraldo Alves, que defende uma visão mais ampla sobre a forma como as pessoas se deslocam nas cidades e afirma que Manaus enfrenta desafios históricos por não ter investido em diferentes modais de transporte ao longo das últimas décadas.
Em entrevista ao programa Cenário Político, do Portal M1, Alves explicou que a mobilidade urbana engloba todos os deslocamentos realizados no espaço urbano, independentemente do meio utilizado.
“Mobilidade urbana é o deslocamento das pessoas sobre a área urbana, independentemente do jeito que esse deslocamento se dá, independentemente do modal. Então a gente costuma falar de modos de transporte, desde a caminhada, o uso da bicicleta, da moto, do carro, do ônibus, do caminhão, do trator, da carroça, do cavalo, tudo que a gente possa usar para se deslocar de um lugar para o outro refere-se à mobilidade urbana”, disse o especialista.
Segundo ele, o conceito costuma ser reduzido equivocadamente à circulação de veículos, quando deveria priorizar também as condições oferecidas aos pedestres.
“É muito mais do que pensar no trânsito, na circulação dos veículos. Mobilidade urbana passa obrigatoriamente e, prioritariamente, deveria passar pelas condições de caminhar sobre as calçadas, por exemplo”, afirmou.
Alves observa que a escolha pelo modo de transporte está diretamente relacionada ao tempo de deslocamento, ao custo da viagem e à disponibilidade das opções existentes na cidade. Para ele, as pessoas tendem a optar pelos meios que ofereçam maior eficiência no cotidiano.
Ao analisar a realidade de Manaus, o professor afirma que a capital amazonense enfrenta problemas estruturais que afetam diferentes formas de deslocamento, especialmente a circulação de pedestres.
Segundo ele, a cidade não consolidou uma rede adequada de calçadas, o que dificulta a mobilidade ativa e reduz a segurança de quem precisa caminhar.
“No caso de Manaus, a gente tem grandes desafios em termos de mobilidade urbana porque a cidade não investiu na construção de calçadas, na regularidade das calçadas. Tem lugar que tem calçada, tem lugar que não tem calçada, tem lugares que a calçada é muito estreita”, disse.
Além das dificuldades enfrentadas pelos pedestres, Alves destaca que Manaus continua dependente basicamente do transporte coletivo por ônibus e dos veículos particulares.
“A cidade ainda não conta com sistemas mais robustos. Apesar de ser uma cidade grande, com mais de 2 milhões de habitantes, a gente ainda continua dependendo do transporte coletivo por ônibus e dos modos individuais de transporte”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a cidade poderia apresentar uma realidade diferente caso tivesse investido, em décadas anteriores, em sistemas de transporte de maior capacidade. Entre as alternativas citadas por ele estão os sistemas sobre trilhos.
“É uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes. Já deveria ter um sistema sobre trilhos. Não acho que é o caso de metrô enterrado, talvez um metrô de superfície, mas até um VLT”, declarou.
Alves argumenta que a implantação de modais desse tipo teria potencial para melhorar o deslocamento da população e reduzir parte da pressão sobre o sistema viário. Ele também avalia que a existência dessas estruturas poderia contribuir para a qualificação dos espaços destinados aos pedestres no entorno das estações.
O engenheiro também criticou o modelo de investimentos adotado pelo poder público ao longo dos anos. Segundo ele, a mobilidade urbana tem sido tratada principalmente sob a ótica da ampliação da infraestrutura viária.
“A cidade não investiu em décadas anteriores, continua não investindo nas gestões mais recentes e o único investimento que a cidade vem fazendo é a expansão do sistema viário”, afirmou.
Para Alves, a prioridade dada à construção de pontes, viadutos e ampliação de avenidas não foi acompanhada por investimentos equivalentes em transporte coletivo de maior capacidade ou em mobilidade ativa.
O especialista acredita que esse cenário tende a permanecer nos próximos anos. Segundo ele, não há sinais de mudanças significativas na matriz de mobilidade urbana adotada pela cidade.
“Eu não visualizo uma guinada, uma mudança quase radical, como a gente precisaria ter para mudar a matriz de mobilidade urbana”, disse.
Na avaliação do professor, o principal desafio para Manaus é ampliar o debate sobre mobilidade urbana para além da circulação de veículos, incorporando políticas voltadas ao transporte coletivo e aos deslocamentos realizados a pé, de bicicleta e por outros modais que contribuam para uma cidade menos dependente do automóvel.
 
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