Entre águas e memórias: o hidroporto da Panair que ligou Manaus ao mundo (vídeo) – Radar Amazônico

Muito antes das barracas e do movimento diário da Feira da Panair, no bairro Educandos, zona Sul de Manaus, o local era ocupado por um cenário que hoje parece distante da realidade manauara. Às margens do rio Negro, hidroaviões cortavam os céus e amerissavam nas águas, fazendo de Manaus um dos mais importantes pontos de conexão aérea da Amazônia.
Foi ali que a extinta companhia aérea Panair do Brasil escreveu parte de sua história. O hidroporto, considerado moderno para a época, tornou-se símbolo de progresso e integração, aproximando a região amazônica do restante do país e do mundo.
Foto: Divulgação
Inaugurado no início da década de 1940, o Hidroporto da Panair tornou-se referência em transporte aéreo na Amazônia. Apesar da estrutura simples, o local era considerado moderno para a época e recebia passageiros de diferentes partes do país e do exterior.
Uma das imagens mais emblemáticas do período mostra um hidroavião Sikorsky S-43B atracado ao lado da estação flutuante de passageiros, evidenciando a importância do terminal para a aviação comercial brasileira.
Além do hidroporto, a Panair mantinha outras estruturas de apoio em Manaus, incluindo instalações no Plano Inclinado — atual bairro Aparecida — e nas proximidades do Berço Flutuante do Roadway.
Esses pontos serviam para o transporte de passageiros e cargas e recebiam visitantes ilustres, entre eles autoridades, artistas, cientistas e empresários que passavam pela capital amazonense.
Reconhecida como uma das mais importantes companhias aéreas do país, a Panair do Brasil se destacou pela qualidade de seus serviços e pelo alto padrão técnico de suas aeronaves.
A empresa era frequentemente comparada a gigantes internacionais da aviação, como a Pan American Airways (Pan Am) e a Air France. Seus hidroaviões desempenharam papel fundamental na integração da Amazônia ao restante do Brasil e ao mundo.
A trajetória da companhia foi interrompida em 1965, quando o Governo Federal cassou sua concessão de funcionamento durante o regime militar, decisão que gerou forte repercussão e permanece como um dos episódios mais controversos da história da aviação brasileira.
O fechamento da empresa resultou na demissão de milhares de funcionários e encerrou as atividades de uma companhia considerada referência no setor.
Embora o hidroporto não exista mais, sua história permanece viva na memória de Manaus. O espaço ocupado atualmente pela Feira da Panair guarda lembranças de um período em que a cidade era uma importante porta de entrada para a Amazônia.
Mais do que um terminal aéreo, o hidroporto representou desenvolvimento, inovação e integração regional. Seu legado continua sendo parte importante da história da aviação brasileira e da memória urbana da capital amazonense.
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