Emprego desacelera no Amazonas – jcam.com.br

O mercado de trabalho formal do Amazonas seguiu no quadrante positivo, em abril. Mas, desacelerou. Com 25.264 admissões e 23.554 desligamentos, o Estado abriu 1.710 vagas formais. O saldo ficou abaixo do apurado em março (+2.076) e também veio mais fraco patamar de 12 meses atrás (+2.678). O estoque celetista somou 570.129 vínculos ativos e foi elevado em 0,30% na variação mensal, em impulso mais forte do que os da média nacional (+0,18%) e da região Norte (+0,28%). A geração de empregos foi sustentada principalmente pelos serviços (+939), em mês negativo para a indústria (-264). Manaus (+1.244) concentrou 72,75% do total da oferta estadual.
O Estado progrediu 1,37% no quadrimestre, ao criar 7.707 ocupações com carteira assinada, sendo sustentando essencialmente por serviços (+4.989), indústria (+1.578) e construção (+1.357). O índice de expansão superou o conjunto das unidades federativas nortistas (+1,25%), mas ficou abaixo da performance brasileira (+1,49%). Em 12 meses, a alta das contratações no mercado de trabalho amazonense foi de 3,43%, somando 18.920 empregos formais, em desempenho ainda mais encorpado do que o da média do país (+2,27%) e da região Norte (+3,22%). Os números são do ‘Novo Caged’ e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência.
O Brasil como um todo também teve mais admissões (+2.268.655) do que demissões (-2.182.767), em abril. O saldo ficou positivo em 85.888 empregos (+0,18%), em número mais fraco do que o de março de 2026 (+228.208) e de um ano atrás (+2.024.659). A supremacia das contratações foi uma realidade para todas as cinco regiões brasileiras – especialmente para o Sudeste (+0,57%) – e três dos cinco setores econômicos – com novo destaque para serviços (+69.601), em números absolutos. O quadrimestre (+1,49% e 699.762) e acumulado dos 12 meses (+2,27% e 1.059.860) seguiram no azul.
 
“Segundo semestre”
Quatro dos cinco setores econômicos do Amazonas tiveram saldos positivos, em abril. A prestação de serviços voltou a liderar em termos absolutos, com a criação de 939 postos de trabalho (+0,36%), já em ritmo inferior ao de março (+1.172). A geração de empregos foi novamente carreada pelos grupos de “outros serviços” (+389), de “alojamento e alimentação” (+324) e de “transporte, armazenagem e correio” (+267). Os serviços amazonenses em geral totalizaram 4.989 vagas no quadrimestre, a maior soma do Estado, alcançando segunda maior taxa de elevação da lista (+1,95%).
No mês da Páscoa, com as famílias se afastando gradativamente do recorde de endividamento, e em uma conjuntura ainda de juros altos, o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos” gerou 603 empregos. O saldo positivo deixou para trás as perdas de março (-57). As admissões foram lideradas pelo varejo (+408), seguido pelo subsetor de “reparação de automóveis e motocicletas” (+170) e atacado (+25). No aglutinado de 2026, o contingente de trabalhadores formais do comércio em geral do Amazonas segue negativo em 0,13%, graças à eliminação de 166 vagas.
“Os dados demonstram que houve crescimento, mas incorporam também uma certa desaceleração em relação ao período anterior. Não obstante, o que nós observamos é que o setor de serviços continua na vanguarda. Apesar de ainda termos alguns exemplos de dificuldades que atrapalham o desempenho da economia. O importante é que os dados já demonstram certo vigor e a recuperação é a expectativa de todos nós. A economia, normalmente se encaminha para seu melhor momento no segundo semestre”, ponderou o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota.
 
“Acomodação produtiva”
A indústria foi o único setor econômico do Amazonas a extinguir empregos. O decréscimo de 264 postos de trabalho (-0,18%) eliminou quase metade do desempenho mais robusto de março (+565). Os segmentos de água, esgoto e gestão de resíduos (+7) e extrativo (+26) ficaram no azul. Dentro da indústria de transformação (-290), 15 das 23 atividades conseguiram contratar mais do que demitir, principalmente “outros equipamentos de transporte” (+152). Mas, a divisão de “equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos” (-550) puxou os números para baixo. Em quatro meses, a indústria em geral ainda detém o segundo melhor saldo (+1.578) e avançou 1,11%. 
“O recuo pontual na indústria, concentrado no segmento de eletrônicos, reflete ajustes técnicos necessários, diante de incertezas logísticas e de consumo, e não uma mudança estrutural de tendência. As perspectivas futuras exigem cautela estratégica, dada a convergência de desafios, como o risco de uma nova estiagem severa e a instabilidade geopolítica global, que pressionam os custos e o planejamento da cadeia de suprimentos. Embora tais fatores exijam prudência na reposição de quadros, o acumulado nos 12 meses demonstra que o PIM possui base sólida para absorver choques. Em suma, o cenário atual é de acomodação produtiva”, analisou o presidente do Fieam, Antonio Silva.
 
“Novas frentes”
A agropecuária (+29) quebrou uma sequência de quatro meses de predomínio das demissões, eliminando a lacuna aberta em março (-24). As contratações se disseminaram pelos grupos que reúnem “agricultura, pecuária e serviços relacionados” (+24) e produção florestal (+5), em mês de estabilidade absoluta para atividade de “pesca e aquicultura” (0). No acumulado do ano, entretanto, foram extintas 51 vagas, gerando o maior decréscimo mensal do Estado (-1,03%). “O desempenho positivo confirma a melhoria do nível de empregabilidade do setor, o que é muito importante para a geração de renda no interior do Estado”, pontuou o presidente da Faea, Muni Lourenço.
Já a construção comemorou seu quarto mês consecutivo de elevação de mão de obra, ao registrar 403 novos empregos, com a maior variação positiva da lista (+1,30%). O saldo veio próximo ao de março (+420). As contratações do mês vieram especialmente dos serviços especializados para construção (+384) e menos da atividade de “construção de edifícios” (+91), em detrimento das obras de infraestrutura (-72). De janeiro a abril, as construtoras amazonenses tiveram saldo positivo de 1.357 postos de trabalho e mantêm o maior índice de expansão da lista (+4,52%), nesse tipo de comparação. 
“Acredito que esse dado do setor é positivo e tende a continuar assim. O número de imóveis no habitacional tem puxado esse número para cima. Em termos de serviços especializados, temos novos projetos e novas frentes de trabalho. As obras de infraestrutura tendem a reduzir em ano eleitoral, mas a chegada do verão deve impactar positivamente no volume de negócios e contratações. O cenário já se aclimatou aos impactos da guerra no Oriente Médio. A grande preocupação é redução da jornada de trabalho, que até pode induzir contratações, mas o panorama ainda é de escassez de mão de obra para a construção”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.
 
Desenvolvido por: Marcelo Leite

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