A CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus) calcula que a Copa do Mundo deve gerar um movimento de R$ 180 milhões no varejo da capital amazonense. Trata-se de um valor significativo e acima do apurado no Dia das Mães (R$ 159 milhões), que é considerado o “segundo Natal” do calendário comercial. O ticket médio está estimado em R$ 170, valor próximo ao contabilizado nas demais datas comemorativas. Conforme a pesquisa da entidade, nada menos do que 96% dos consumidores da cidade devem assistir os jogos do mundial, e 75% já manifestaram a intenção de comprar algum produto, durante o evento.
Mas, em sintonia com a necessidade de controlar os gastos para fugir do risco de inadimplência, em uma conjuntura de inflação e juros ainda elevados, apenas 35% garantem que vão comprar uma TV nova para assistir aos jogos e 17% ainda estão indecisos. Alimentos, bebidas e a tradicional camisa verde e amarela da seleção brasileira também estão na lista de compras. Os meios de pagamento preferidos são o cartão de crédito parcelado (45%) e o Pix (39%), enquanto o local de compras mais citado é o Centro cidade, que costuma se destacar pelos preços mais baixos e diversidade de produtos.
A CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil apontam que 99,2 milhões de consumidores brasileiros devem adquirir produtos ou contratar serviços ligados à Copa. Entre os manauaras ouvidos pela CDL-Manaus, 31% afirmam que vão ver todos os jogos, 52% garantem audiência apenas para as partidas da seleção brasileira, e 13% manifestam interessa “apenas alguns jogos”. A maioria diz que vai acompanhar o evento esportivo em casa (65%) e a casa dos amigos é a segunda principal opção (36%). Há também quem escolha bares e restaurantes (9%) e eventos públicos (3%). Somente 3% avisam que vão passar ao largo do mundial.
“A Copa do Mundo de 2026 deverá ipulsionar significativamente a economia local, consolidando-se como uma importante oportunidade para o comércio de Manaus. Os resultados [do levantamento] evidenciam um cenário favorável para o varejo, reforçando a necessidade de ações estratégicas que permitam ao setor transformar a paixão pelo futebol em geração de negócios e crescimento econômico”, assinalou a CDL-Manaus, no texto da pesquisa.
Entre os 75% de consumidores que já manifestaram interesse em consumir, a faixa de gastos predominante é a que vai de até R$ 200 (63%). Na sequência, estão os que pretendem dispender de R$ 201 a R$ 300 (15%), entre R$ 301 e R$ 400 (10%), de R$ 401 a R$ 500 (7%), e entre R$ 501 e R$ 1.000 (5%). A lista de compras é liderada pela já tradicional camisa ‘canarinho’ (73%). Outros produtos citados são alimentos/bebidas (40%), itens para churrascos (39%), decoração temática (37%), ‘vuvuzela’ e apito (16%) e fogos de artifício (12%). Uma minoria manifesta interesse em adquirir outros aparelhos eletrônicos (9%) – como smartphones – e somente 5% ainda não sabem o que vão comprar.
Tradicional objeto de desejo em anos de Copas, os televisores estão na mira de 35% dos manauaras, e outros 17% ainda estão pensando se vão embarcar no gasto ou não. A maioria quer um aparelho de 40 a 50 polegadas (50%), seguidos por aqueles que escolhem similares de 51 a 65 polegadas (30%) e telas ainda maiores (20%). Os motivos citados para a compra são “melhorar a experiência dos jogos” (36%), buscar uma “promoção da Copa” (30%), substituir uma TV já “antiga ou defeituosa” (18%), fazer uma “troca planejada” (9%) e outras razões não informadas (7%).
Apesar do avanço das taxas de endividamento e inadimplência das famílias, em um ambiente de taxas de juros no teto, a maior parte dos consumidores diz que vai pagar as compras no cartão de crédito parcelado (45%). Mas, são seguidos de perto pela fatia de compradores via Pix (39%). As demais modalidades de pagamento mais votadas são cartão de débito (31%), dinheiro (20%), cartão de crédito em parcela única (9%) e crediário da loja (5%). A CDL-Manaus informa que o “gráfico não fecha em 100%”, porque a pergunta era de múltipla escolha.
Diferente das pesquisas mais recentes da CDL-Manaus, e também do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), os shoppings não figuram como locais favoritos de compra. Praticamente seis em cada dez entrevistados (58%) aponta predileção pelo Centro, enquanto as lojas de bairro (36%) comparecem em um distante segundo lugar, seguidos pelos supermercados/hipermercados (28%). A parcela de consumidores da capital amazonense disposta a comprar por internet e mídias sociais (25%) também é significativa. Segundo a entidade, esta também foi uma pergunta que cabia mais de uma reposta do entrevistado.
O diretor da CDL-Manaus, e proprietário e diretor da Tropical Multilojas, Allan Bandeira de Melo, disse à reportagem que o faturamento do setor deve superar a meta apontada pela Câmara dos Dirigentes Lojista de Manaus. “O movimento está ótimo e dentro do esperado. Sou suspeito para falar, porque minha empresa já tem tradição em trabalhar com esse material E agora estamos com álbuns de figurinhas, na loja Arena da Copa, no shopping Manauara. Muita gente compra para decorar sua casa, ou sua rua. Mas, posso dizer que todo o comércio da cidade vai ser favorecido pelo mundial e está vendendo bem”, enfatizou.
O comerciante diz que os produtos de maior procura são camisas, bandeiras, cornetas e “toda decoração da Copa”. “São dezenas de itens. Quem trabalha com bebidas, alimentos, decoração e confecção está vendendo muito. E quem vende TVs também está com uma boa saída desse produto, que costuma ser mais procurado na Copa e no Natal”, ressaltou. Ele avalia também que o varejo manauara já está conseguindo planejar seus estoques. “Acho que o comércio ficou mais inteligente, porque não comprou para sobrar estoque. Nossa logística é complicada e, quando você acerta no produto, não tem tempo de fazer reposição. No Sul é mais fácil, mas a concorrência lá é maior”, arrematou.
O levantamento foi realizado via Google Formulários, através de aplicativo de mensagens instantâneas, entrevistas pessoais e ligações, entre 25 de maio e 3 de junho. Foram ouvidas 1.530 pessoas, entre mulheres (51%) e homens (49%), divididos entre as faixas etárias de 33 a 40 anos (30%), entre 41 e 50 anos (22%), de 26 a 32 anos (20%), entre 18 e 25 anos (18%) e 50 anos ou mais (10%). Predominam consumidores com renda mensal de até um salário mínimo (31%) e entre 2 e 3 mínimos (28%), mas há também ganhe de 4 a 5 mínimos (19%), entre 5 e 6 mínimos (13%) e mais do que isso (9%). A maioria reside na zona Leste (24%), Oeste (22%) e Norte (21%), e o restante, nas zonas Sul (14%), Centro-Sul (10%) e Centro-Oeste (9%).
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