A corrente de comércio exterior do Amazonas voltou a ganhar força em abril. Os números do site Comex Stat revelam que a soma de importações e exportações do Estado encostou em US$ 1.62 bilhão, acelerando 4,52% ante março (US$ 1.55 bilhão), e já superando em 9,46% o patamar contabilizado no terceiro mês do ano passado (US$ 1.48 bilhão). A base de dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informa ainda que a balança comercial amazonense avançou 6,53% no comparativo do primeiro trimestre, com US$ 6.20 bilhões (2026) contra US$ 5.82 bilhões (2025).
As vendas externas do Amazonas foram puxadas por ouro semimanufaturado, motocicletas, concentrados para refrigerantes, e ferro-ligas/nióbio, remetidos principalmente para Alemanha, Argentina e China. Saíram de US$ 121.54 milhões, em março, para US$ 91.82 milhões, em abril, configurando diminuição nominal de 24,45%. Mas, a comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 80.79 milhões) resultou em escalada de 13,65%. O quadrimestre registrou US$ 398.51 milhões em embarques ao exterior, volume 42,54% mais forte do que o contabilizado em igual período do exercício anterior (US$ 279.58 milhões).
A dinâmica foi melhor para as importações com destaque para os componentes utilizados pelo PIM. A cifra obtida em abril (US$ 1.52 bilhão) ficou acima do registro de março (US$ 1.42 bilhão), por uma diferença de 7,04%. A performance também foi 8,57% superior à registrada no mesmo mês do exercício anterior (US$ 1.40 bilhão). Dessa forma, o saldo das aquisições do Estado no mercado estrangeiro no acumulado de 2026 se consolidou no campo positivo. O incremento sobre os quatro primeiros meses do ano passado foi de 4,69%, com US$ 5.80 bilhões (2026) contra US$ 5.54 bilhões (2025).
A análise trimestral mostra que o saldo do comércio exterior amazonense em 2026 já começa a consolidar reforço nas vendas externas do Estado, em paralelo a um movimento gradualmente mais forte de retomada no volume de compras no estrangeiro, principalmente de insumos para o PIM. As importações do Amazonas no trimestre encerrado em abril (US$ 4.32 bilhões) foram 16,13% mais robustas do que o valor conseguido no acumulado de novembro de 2025 a janeiro de 2026 (US$ 3.72 bilhões). A mesma comparação também confirma viés de alta para as exportações do Amazonas, que passaram de US$ 278.70 milhões para US$ 314.03 milhões, uma diferença de 12,68%.
Insumos e manufaturados
A lista mensal de importações do Amazonas foi liderada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 331.06 milhões); “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos” (US$ 189.75 milhões); e platina (US$ 112.86 milhões). Com 592 produtos, a pauta incluiu ainda discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 94.73 milhões); partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 75.64 milhões); polímeros de etileno (US$ 56.44 milhões); kits para celulares (US$ 54.59 milhões); e kits para “máquinas e aparelhos de ar condicionado” (US$ 34.29 milhões), entre outros.
A China (US$ 464.63 milhões) renovou liderança no ranking dos fornecedores para o PIM, embora com resultado 30,42% mais baixo do que o de um ano atrás (US$ 667.82 milhões). O pódio foi secundado por Coreia do Sul (US$ 173.73 milhões) e Rússia (US$ 139.82 milhões). Entre as 89 nações que venderam produtos ao Estado no mês passado despontam também EUA (US$ 100.51 milhões); Vietnã (US$ 90.06 milhões); Taiwan/Formosa (US$ 81.22 milhões); África do Sul (US$ 77.20 milhões); Índia (US$ 61.23 milhões); Japão (US$ 51.59 milhões); e Indonésia (US$ 34 milhões).
Em uma pauta de 384 produtos, ouro (US$ 15.78 milhões); motocicletas (US$ 14.96 milhões); e preparações alimentícias/concentrados (US$ 11.77 milhões) aparecem como os produtos mais exportados pelo Amazonas, em abril. As colocações seguintes foram ocupadas por soja (US$ 9.92 milhões); e ferro-ligas/nióbio (US$ 9.20 milhões). Os próximos manufaturados tradicionais do PIM na lista são barbeadores/lâminas (US$ 3.21 milhões); máquinas e aparelhos de escritório”, como distribuidores de papel-moeda (US$ 1.71 milhão); televisores (US$ 1.34 milhão); e canetas esferográficas (US$ 937.861); que aparecem na sexta, 11ª, 12ª e 15ª posições em diante.
A Alemanha (US$ 16.16 milhões), que adquiriu principalmente ouro (US$ 15.78 milhões), permaneceu no topo do ranking de exportações do Estado. A Argentina (US$ 11.81 milhões), que focou suas compras em manufaturados do PIM, se segurou na segunda colocação. A China (US$ 11.75 milhões), que foi lastreada pela aquisição de ferro-ligas/nióbio (US$ 9.20 milhões), subiu do quinto para o terceiro lugar. Outros destinos em destaque foram Colômbia (US$ 8.99 milhões); EUA (US$ 6.25 milhões); México (US$ 6.21 milhões); e Bolívia (US$ 5.24 milhões), em uma pauta com 80 registros.
“Semestre garantido”
O contador, professor da Ufam e consultor empresarial especializado na indústria, André Costa, disse à reportagem que os números surpreendem. “O volume de importações está, por uma diferença relevante, superior a 2025, que já tinha sido um ano muito bom. Então, temos a confiança de que o primeiro semestre de 2026 está garantido. E há casos em que multinacionais estão escolhendo o PIM como base de exportação de produtos de linhas encerradas em outras subsidiárias. Fora isso, as vendas de minérios têm aumentado e aproveitado o fato de Pitinga ser operado por empresa chinesa”, analisou.
O diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam e professor da Ufam, Augusto Cesar Barreto Rocha, avalia que o fluxo de importações começa a se estabilizar. “O câmbio favorecerá a manutenção de um fluxo positivo para o próximo mês, somado com a expectativa da seca moderada/alta neste ano. Há alguns setores que não estão importando, quando o frete é muito agravado pela guerra no Oriente Médio. E sigo bastante incomodado com a taxa de juro elevada”, resumiu.
O gerente executivo do Centro Internacional de Negócios da Fieam, Marcelo Lima, assinalou à reportagem que os números de abril mostram movimentos cíclicos e “sem grandes mudanças”. “As exportações de ouro têm sido significativas, colocando a Alemanha no topo do ranking. O nióbio também tem se destacado e há uma tendência de alta nas vendas externas da soja. As vendas de motocicletas têm se mantido, assim como as de concentrados, principalmente para países do Mercosul. Do lado das importações, o PIM vive praticamente vivendo na dependência dos países asiáticos”, sintetizou.
O executivo avalia que a guerra no Oriente Médio ainda não gerou impactos na balança comercial amazonense. “O mercado é que regula esses números e, pelo menos até agora, os reflexos dessa guerra não chegaram por aqui. O que nós podemos considerar como tendência e esperança é a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, a partir deste mês. Isso provavelmente vai afetar nossas importações e exportações. O Brasil vai passar por um momento bastante benéfico, porque o mercado europeu é pujante e tem muito a nos oferecer, e vice-versa. E, em julho, vamos ter uma missão à Guiana, para abrir um novo mercado em potencial para o Amazonas”, arrematou.
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