Desde quarta-feira, 27, a banda Carrapicho se tornou oficialmente reconhecida Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Estado do Amazonas, em Sessão Especial ocorrida na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas).
O evento destacou a importância do grupo musical que, liderado por Zezinho Corrêa, nos anos de 1980, com forró, e depois nos anos de 1990, levou a toada de boi-bumbá e a cultura amazonense para o mundo todo, inicialmente com ‘Tic, tic, tac’ (1993), música do parintinense Braulino Lima, hoje com 88 anos.
O título de Patrimônio Cultural protege não apenas os bens imateriais, como a produção musical e a difusão da cultura do Norte, mas também os bens materiais da banda. Isso inclui discos, prêmios, figurinos e documentos históricos. A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Wilker Barreto, que ressaltou a relevância de proteger o legado do grupo para as futuras gerações.
O principal responsável por essa conquista foi Olin Rodrigo Corrêa Brandão, filho de Zezinho Corrêa. Olin é psicólogo e atua como assessor legislativo na Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas).
“No começo eu queria apenas ser o Olin, o filho do Zé, mas desde que meu pai se foi, em 2021, eu percebi que as pessoas não esqueceram nem dele, nem da banda Carrapicho, foi então que observei ter um legado precioso nas mãos e decidi, ano passado, assumir a marca Carrapicho, e não deixá-la morrer”, disse.
História contada em livro
“Eu resistia à ideia de assumir esse legado. Não foi uma decisão tomada de uma hora para outra. Foi uma construção, pois vi que havia uma demanda. As pessoas sentiam falta da Carrapicho, com Zezinho à frente”, revelou.
“Hudson, um dos dançarinos, nunca deixou a arte e continua, até hoje, dançando e relembrando a banda. Em 2023, o cantor Luso Neto realizou o show ‘Luso Canta Zezinho Corrêa’, inclusive com a participação de Carlinhos Bandeira, músico, arranjador e produtor musical, que integrou a Carrapicho, e ano passado o Hira, o outro dançarino, que junto com o Hudson, a Ianael e a Tatiana, formavam o quarteto de dançarinos, lançou o livro ‘Na batida do Amazonas – minhas vivências com o Carrapicho’, no qual conta ricamente a história da banda e de seus integrantes”, completou.
No livro, Hira lembra de como a banda surgiu, do nada, por acaso.
‘Em 1980, Roberto Bezerra de Oliveira foi ao Sesc, na rua Henrique Martins, para tocar violão com alguns amigos. Roberto estava começando a firmar os dedos na escala do violão quando conheceu José Maria Nunes Corrêa, artista de teatro com experiência de 12 anos de palco ao lado do autor, diretor, ator e escritor Márcio Souza’, contou Hira.
Roberto ficaria conhecido, depois, como Bopp; e José Maria, como Zezinho Corrêa. Os dois seriam as cabeças por trás da criação e do surgimento da Carrapicho.
“Naquela época eu cantava só no banheiro e tinha vergonha da minha voz muito aguda”, falou Zezinho, numa entrevista ao jornal A Crítica, em 1987, sem sequer imaginar que, poucos anos depois, o Brasil e o mundo ouviriam sua voz.
“Foi o Márcio Souza, durante os ensaios de suas peças, que deu a maior força para que eu colocasse a voz para fora”, informou Zezinho na mesma entrevista.
Sem comparações
Este ano, depois de associar a Tony Farias e Dom Olean, nomes experientes na promoção de shows e eventos, Olin resolveu recriar a banda Carrapicho, tendo à frente, assim como Zezinho, ator, compositor e cantor, Magno Fre’sil, que já está realizando apresentações à frente do grupo.
“Apesar de Magno ter alguma semelhança com Zezinho, não pretendo que ele seja comparado ao Zezinho, mas que tenha a mesma energia que meu pai e a banda sempre tiveram, desde quando começaram a fazer sucesso, em Manaus, tocando forró, e a partir de 1993, com ‘Tic, Tic, Tac’, pelos palcos do Brasil e do mundo”, avisou.
Por enquanto a nova banda Carrapicho apresenta os mesmos sucessos da banda antiga, mas Olin adianta que, com a evolução do projeto, novas composições e músicas surgirão no repertório da banda.
“Sim, iremos continuar honrando o que passou, e apresentar a nova banda Carrapicho para estas gerações que não conheceram a antiga banda. Eu, por exemplo, nasci em 1996, quando a Carrapicho já estava pelo mundo”, lembrou.
Outra ideia de Olin é colocar, além de Magno Fre’sil, uma vocalista para dividir o palco com ele.
“Hoje, mulheres amazonenses, como Isabelle Nogueira e Marciele Albuquerque, é que estão mostrando o Amazonas para o mundo”, afirmou.
“E podem aguardar. A banda Carrapicho está de volta cantando e tocando forró, toadas e o estilo musical que o público pedir”, finalizou.
Desenvolvido por: Marcelo Leite











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