Amazonas registra mais de 3 mil notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes – A Crítica

Boletim da FVS aponta aumento de casos no estado; maioria das vítimas são meninas entre 10 e 14 anos
Os dados foram apresentados durante no âmbito da Campanha Nacional Faça Bonito, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) lançada nesta segunda-feira (25) (Foto: Divulgação / FVS-RCP)
O Amazonas registrou 3.164 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, maior número da série histórica analisada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP). Os dados fazem parte do novo Boletim Epidemiológico da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Amazonas, divulgado nesta segunda-feira (25), dentro da Campanha Nacional Faça Bonito.
Segundo o levantamento, o número de casos notificados quase dobrou nos últimos quatro anos. Em 2021, o estado havia registrado 1.585 notificações. Em 2025, a taxa chegou a 208,6 casos por 100 mil habitantes entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. A maioria das vítimas é formada por meninas, que representam 93,1% dos registros, com predominância da faixa etária entre 10 e 14 anos.
Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o cenário também demonstra avanço na capacidade de identificação e acolhimento dos casos pelos serviços de saúde e pela rede de proteção.
“A ampliação das notificações representa um esforço conjunto de fortalecimento da vigilância, sensibilização dos profissionais e maior integração da rede de proteção. Isso significa que mais casos estão sendo identificados e encaminhados para atendimento, cuidado e garantia de direitos”, destacou a diretora-presidente.
O boletim foi elaborado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE), por meio da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) e da Coordenação Estadual de Vigilância das Violências e Acidentes (Viva), com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
O diretor de vigilância epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, ressalta que os dados epidemiológicos são fundamentais para orientar ações estratégicas de prevenção e assistência.
“Os dados permitem identificar territórios mais vulneráveis, padrões de ocorrência e fatores associados à violência sexual. Isso fortalece o planejamento das ações intersetoriais e contribui para respostas mais rápidas e qualificadas da rede de proteção”, comenta.
As notificações registradas em 2025 mostram predominância de casos envolvendo meninas, que representam 93,1% das notificações. A faixa etária de 10 a 14 anos concentrou 57,9% dos casos registrados no estado.
O levantamento também evidencia predominância em crianças e adolescentes pardos, correspondendo a 79,8% dos registros, além de reforçar vulnerabilidades sociais e raciais relacionadas à exposição à violência sexual.
Entre os municípios com maior número absoluto de notificações estão Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru. Já as maiores taxas proporcionais foram observadas em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari.
O estupro de vulnerável aparece como o principal tipo de violência sexual notificado, representando 55,6% dos registros. O boletim também aponta que mais da metade das notificações indicava recorrência da violência, demonstrando a necessidade de fortalecimento das ações preventivas e da identificação precoce dos casos.
Outro dado destacado no documento é que a residência permanece como principal local de ocorrência da violência sexual, concentrando 78,4% das notificações.
O boletim também aponta avanço nos encaminhamentos realizados após as notificações, especialmente ao Conselho Tutelar, que concentrou 72,8% dos direcionamentos realizados pelos serviços de saúde.
De acordo com a coordenadora estadual do Viva da FVS-RCP, Cassandra Torres, o fortalecimento da articulação entre saúde, assistência social, educação, a sociedade civil e os demais setores que compõem o Sistema de Garantia de Direitos é imprescindível para ampliar a proteção às crianças e adolescentes.
“A vigilância epidemiológica tem papel estratégico para subsidiar políticas públicas e fortalecer ações de prevenção, acolhimento humanizado e proteção integral. O enfrentamento da violência sexual exige atuação contínua e integrada de toda a rede”, avalia.
O documento na íntegra está disponível para o acesso no site oficial www.fvs.am.gov.br.

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