Com 44% de perdas de energia, Amazonas lidera ranking nacional de ligações clandestinas – Folha BV

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ENERGIA ELÉTRICA
Dina Vieira
A nova controladora da Amazonas Energia, a Âmbar Energia, anunciou um plano de investimentos de R$ 2,3 bilhões para tentar reverter a situação de uma das distribuidoras mais problemáticas do setor elétrico brasileiro. A empresa foi adquirida pelo grupo J&F e chegou às mãos da nova gestão com mais de R$ 13 bilhões em dívidas acumuladas, além de índices elevados de perdas de energia e inadimplência.
Os detalhes do plano foram apresentados pelo presidente da área de distribuição da Âmbar Energia, João Pilla, durante evento realizado em Brasília com jornalistas da Região Norte.
Segundo o executivo, a concessionária entrega atualmente 1.106 gigawatts-hora (GWh) de energia, mas consegue faturar apenas 644 GWh. A diferença representa perdas de 41,83% de toda a energia distribuída, índice considerado um dos mais elevados do país.
Grande parte desse prejuízo é atribuída às chamadas perdas não técnicas, provocadas principalmente por ligações clandestinas, fraudes em medidores e desvios ilegais de energia.
Dados divulgados pela própria concessionária apontam que o Amazonas lidera o ranking nacional de perdas de energia, com cerca de 44% da energia distribuída sendo perdida. O prejuízo estimado chega a R$ 400 milhões por ano.
Segundo a empresa, esse montante poderia ser destinado à ampliação da rede elétrica, modernização da infraestrutura e melhorias no atendimento aos consumidores.
Além do impacto financeiro, a prática também afeta diretamente a qualidade do fornecimento. As ligações clandestinas podem provocar sobrecarga na rede, interrupções frequentes, curtos-circuitos e até acidentes graves.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considera as perdas por fraude nos cálculos tarifários, o que significa que parte do prejuízo acaba sendo compartilhada entre os consumidores que mantêm as contas em dia.
Para reduzir as perdas, a Âmbar pretende modernizar a rede de distribuição. Uma das principais medidas será a substituição dos cabos convencionais por cabos concêntricos blindados, considerados mais difíceis de serem adulterados.
Também está prevista a instalação de 40 mil medidores inteligentes até 2028. Os equipamentos permitirão monitoramento remoto do consumo e identificação mais rápida de irregularidades.
Além disso, a empresa prevê a construção de 438 quilômetros de novas redes de baixa e média tensão e a ligação de mais de 11,5 mil novas unidades consumidoras em áreas ainda não atendidas.
Outro desafio enfrentado pela nova controladora é o passivo financeiro acumulado pela concessionária.
Segundo a Âmbar, além dos R$ 2,3 bilhões em investimentos operacionais, será necessário um aporte de R$ 9,8 bilhões para reduzir o endividamento da empresa. A dívida acumulada gera atualmente cerca de R$ 250 milhões em juros todos os meses.
A inadimplência também está entre os principais problemas. De acordo com João Pilla, parte dos débitos está concentrada em grandes consumidores, incluindo órgãos públicos estaduais e prefeituras do interior amazonense.
A empresa afirma que já iniciou negociações com o Governo do Amazonas e com administrações municipais para parcelamento e regularização dos débitos.
Entre as medidas previstas estão ainda campanhas de renegociação, intensificação das inspeções em consumidores de média tensão e regularização de unidades onde os medidores não podem ser acessados pelas equipes de leitura.
A nova gestão também pretende enxugar despesas operacionais. A meta é reduzir os custos em 11% já em 2026 e alcançar uma redução acumulada de 16% até 2030.
Segundo Pilla, a estratégia inclui revisão de contratos, racionalização de processos e aumento da produtividade. Apenas com renegociação de contratos e melhorias na gestão de compras, a empresa estima economizar cerca de R$ 100 milhões no próximo ano.
Durante a apresentação, João Pilla comparou o cenário amazonense ao encontrado pela empresa em Roraima, onde a Âmbar também assumirá o controle da distribuidora local.
Segundo ele, os indicadores roraimenses são significativamente melhores. A inadimplência está em 4,85% e as perdas totais de energia giram em torno de 16%, patamar muito inferior ao observado no Amazonas.
“Roraima tem um custo operacional bem melhor. As perdas estão em torno de 16% e a inadimplência em 4,85%. É muito abaixo do Amazonas”, afirmou.
Para a empresa, a diferença demonstra a dimensão do desafio herdado no Amazonas, onde a recuperação financeira e operacional da concessionária dependerá principalmente da redução dos furtos de energia e da recuperação de receitas atualmente perdidas por fraudes e inadimplência.
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