A COMUNIDADE DO JIU-JITSU NO AMAZONAS JAMAIS SE TORNARÁ VALHACOUTO DE PEDÓFILOS E ABUSADORES – A Crítica

Carlos Holanda está foragido e é procurado pela polícia (Divulgação)
É estarrecedor o anúncio das graves denúncias de pedofilia e abuso sexual envolvendo Carlos Holanda, o “Esquisito”. Uma figura que gozava de prestígio no jiu-jitsu amazonense, ao ser apontada como predadora, viola não apenas as leis penais, mas o pacto de confiança fundamental entre mestre e discípulo. O tatame, que deveria ser um templo de formação de caráter e proteção dos mais fracos, transforma-se em um cenário de horror e traição.
Esta infâmia não surge sem razão, mas se soma a uma cronologia sombria que mancha a bela reputação que o nosso vitorioso estado possui na arte suave. A repetição desses comportamentos criminosos estabelece uma crise ética profunda, onde a excelência técnica e o renome internacional parecem ter servido, por tempo demais, como um escudo para ocultar condutas abjetas e INACEITÁVEL.
O caso de Carlos Holanda é a reabertura de uma ferida que a comunidade luta para curar e cicatrizar, revelando que o perigo ainda reside no núcleo de algumas de nossas referências. É impossível não traçar um paralelo direto e doloroso com o caso de Alcenor Alves em 2024, que já havia exposto a vulnerabilidade de um sistema de ensino marcial sem filtros rigorosos.
Naquela ocasião, o choque serviu como um grito de alerta para que as famílias revisassem seus critérios de confiança. Acreditava-se que o trauma causado por Alves seria o ponto de inflexão necessário para uma purificação ética nas academias de Manaus, mas os fatos recentes mostram que a vigilância falhou.
A ferida foi novamente aprofundada pelo caso de Melqui Galvão no início deste ano de 2026, reiterando que o prestígio e a autoridade pedagógica são distorcidos para fins criminosos. A sucessão de nomes de referência do mundo de competição — Alves, Galvão e agora Holanda — envolvidos em crimes de tamanha magnitude revela uma falha estrutural nas federações reguladoras.
A complacência ou a omissão diante de sinais anteriores não são apenas erros administrativos… na verdade, são formas de permitir que o ciclo de abusos se perpetue e ninguém faça nada. O ensino do Jiu-Jitsu não pode ser exercido por quem não possui a integridade moral mínima para conviver em sociedade, quanto mais para moldar o futuro de crianças e jovens.
A coluna Um Amazonas de Lutas e este faixa preta que a subscreve repudia veementemente Carlos Holanda e todos aqueles que, sob a máscara da graduação, destruíram infâncias e macularam o legado da luta. A arte suave só voltará a ser plena quando o lixo da criminalidade for varrido dos nossos dojos e quando a memória das vítimas de Alves, Galvão e Holanda for honrada com justiça efetiva e vigilância ininterrupta. O silêncio não é uma opção; a proteção dos nossos atletas (e de quem pisa no tatame) deve estar acima de qualquer medalha ou linhagem. PONTO FINAL.​

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