Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 28/05/2026 às 07:35 | Atualizado em: 28/05/2026 às 07:37
Durante décadas, a BR-319 virou símbolo do isolamento do Amazonas, da burocracia ambiental brasileira e da incapacidade política de Brasília em compreender a realidade amazônica. Presidentes passaram. Governos terminaram. Promessas foram feitas. E a estrada continuou abandonada.
Por isso, a autorização dada pelo presidente Lula da Silva para o avanço das obras da BR-319 representa mais do que uma simples decisão administrativa. Trata-se de um fato histórico e político.
Histórico porque rompe um impasse que atravessou pelo menos quatro décadas.
Político porque, no Amazonas, poucos personagens estiveram tão ligados à defesa da BR-319 quanto os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga.
Enquanto muitos consideravam a recuperação da estrada inviável, os dois mantiveram a pauta viva no debate nacional. Foram anos de enfrentamentos políticos, discursos, articulações em Brasília, pressão sobre ministérios e embates contra setores que viam a pavimentação da BR como uma ameaça ambiental irreconciliável.
No meio desse caminho, vieram as críticas.
Adversários políticos diziam que a BR-319 jamais sairia do papel. Acusavam Omar e Braga de usar a estrada apenas como promessa eleitoral recorrente. O discurso era repetido a cada eleição: “a obra não sai”.
E saiu justamente num momento em que a integração logística da Amazônia deixou de ser apenas um debate regional para se transformar em questão estratégica nacional.
A fala de Omar Aziz publicada nesta quinta-feira, em seu Instagram, resume bem o peso político e humano dessa luta.
“Ninguém trabalhou tanto quanto eu como governador para que a gente pudesse asfaltar essa estrada”, afirmou o senador.
Ao lembrar da crise do oxigênio durante a pandemia, Omar associa a BR-319 não apenas ao desenvolvimento econômico, mas à sobrevivência do povo amazonense.
“Eu vi 15 mil pessoas morrerem na cidade de Manaus por falta de oxigênio, porque a BR-319 não estava asfaltada”, disse.
A declaração carrega um simbolismo profundo. Para milhares de amazonenses, a BR deixou de ser apenas uma estrada. Tornou-se uma questão de soberania, segurança e dignidade regional.
O próprio senador resume essa percepção ao afirmar que a ligação rodoviária “nos faz brasileiros de verdade”.
Mas a visita de Lula ao Amazonas trouxe outro anúncio igualmente emblemático: a construção do novo Porto da Manaus Moderna.
Manaus, a maior cidade da Amazônia, sempre conviveu com uma contradição cruel. Milhares de pessoas chegam diariamente à capital pelos rios — as verdadeiras estradas amazônicas, sem que exista uma estrutura portuária minimamente compatível com a dimensão humana e econômica da região.
O novo porto representa dignidade para passageiros do interior, modernização logística e reorganização urbana para uma área historicamente marcada pela precariedade.
E, também nesse projeto, Omar Aziz e Eduardo Braga aparecem como protagonistas políticos da articulação.
Nos bastidores de Brasília, aliados dos dois senadores afirmam que a pressão exercida junto ao governo federal foi decisiva para destravar tanto a BR-319 quanto o Porto da Manaus Moderna.
A comparação feita por lideranças políticas amazonenses ajuda a dimensionar o tamanho dessa conquista.
No Amapá, a liberação para exploração de petróleo na Margem Equatorial passou a ser associada politicamente ao trabalho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. No Amazonas, cresce a avaliação de que Omar Aziz e Eduardo Braga passam a ter seus nomes ligados historicamente à BR-319 e ao novo porto da capital.
Em política, obras estruturantes costumam eternizar padrinhos.
E poucas obras possuem peso simbólico tão grande para o Amazonas quanto essas duas.
A BR-319 reconecta o Estado ao restante do país.
O Porto da Manaus Moderna reconecta Manaus à dignidade de seu próprio povo ribeirinho.
Depois de décadas de promessas, o Amazonas finalmente viu os tratores se aproximarem de sonhos que muitos já consideravam impossíveis.
Foto: Tadeu Rocha/divulgação
Brasil Norte Comunicação
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