27 Mai 2026 às 16:16 · Última atualização: 27 Mai 2026 · 4 min leitura
O novo pacote de investimentos anunciado pela Petrobras (PETR4) para o Polo Urucu, no Amazonas, foi recebido com cautela pelo mercado financeiro. Em relatório, a Ativa Investimentos avaliou que o projeto reforça a estratégia da companhia em segurança energética e expansão do gás natural, mas deve ter impacto limitado sobre os principais indicadores financeiros da estatal.
A Petrobras anunciou investimentos superiores a R$ 2,8 bilhões no Amazonas até 2030, sendo cerca de R$ 2,5 bilhões destinados à retomada da produção em Urucu, considerada a maior província petrolífera onshore do Brasil. O projeto inclui perfuração de novos poços e instalação de aproximadamente 40 quilômetros de linhas de conexão.
Segundo a Ativa, embora o movimento fortaleça a narrativa institucional da Petrobras, o incremento operacional esperado ainda é pequeno diante da escala da companhia.
A estimativa é de aumento médio de produção de 4,4 mil barris de óleo equivalente por dia em Urucu. O volume representa cerca de 4,2% da produção atual do polo, mas apenas 0,15% da produção total projetada da Petrobras para 2025, estimada em 2,99 milhões de barris por dia.
Na avaliação da corretora, os números da Petrobras no Amazonas não justificam mudanças relevantes nas projeções de Ebitda, geração de caixa livre ou dividendos da estatal no curto prazo.
“O anúncio melhora a qualidade da narrativa estratégica, mas não altera os principais drivers da tese de investimento”, destacou a Ativa no relatório.
O relatório aponta ainda que o principal risco de percepção para investidores está na possibilidade de o mercado interpretar o investimento como um sinal de maior tolerância da Petrobras para alocação de capital fora do núcleo mais rentável da companhia, concentrado no pré-sal.
A comparação de escala feita pela Ativa reforça esse argumento. Segundo a análise, o capex estimado em Urucu equivale a aproximadamente R$ 568 mil por barril diário incremental produzido. Em comparação, grandes plataformas do pré-sal possuem capacidade muito superior.
A corretora destaca que unidades recentes como os FPSOs P-78, P-79 e Alexandre de Gusmão possuem capacidade nominal de cerca de 180 mil barris por dia — aproximadamente 41 vezes o incremento esperado em Urucu.
Apesar disso, a Ativa pondera que o investimento da Petrobras no Amazonas possui características estratégicas específicas. O Polo Urucu é considerado infraestrutura crítica para o abastecimento energético da Região Norte.
Atualmente, o gás natural produzido no ativo viabiliza cerca de 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios da região. Além disso, Urucu produz aproximadamente 80 mil botijões de gás liquefeito de petróleo (GLP) por dia para abastecimento do Norte e parte do Nordeste.
Outro ponto considerado positivo pela Ativa é a parceria da Petrobras no Amazonas com a Amazônica Energy para monetização de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala.
A operação, prevista para entrar em funcionamento a partir de 2028, pode ampliar a segurança energética na Região Norte em pelo menos 100 mil metros cúbicos por dia.
Ainda assim, a corretora ressalta que o projeto depende de etapas relevantes de execução, incluindo infraestrutura de liquefação, transporte, regaseificação e desenvolvimento da demanda final.
A leitura final da Ativa para as ações PETR4 permanece neutra. Segundo a casa, os fatores que continuam determinando a tese de investimento da Petrobras são o preço internacional do petróleo Brent, a política de preços da companhia, a disciplina de investimentos, os dividendos e a execução dos projetos do pré-sal.
Na visão da corretora, o investimento em Urucu é relevante do ponto de vista institucional e regional, mas pequeno para alterar de forma significativa o valuation consolidado da Petrobras.
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