O concurso nacional vai premiar 55 merendeiras e merendeiros em todo o país, além de suas respectivas escolas. (Foto: Reprodução)
O concurso nacional vai premiar 55 merendeiras e merendeiros em todo o país, além de suas respectivas escolas. (Foto: Reprodução)
A merenda escolar é um fator decisivo para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. No entanto, ainda mais relevante é o papel de quem prepara, diariamente, as refeições servidas nas creches e escolas da Prefeitura de Manaus. As manipuladoras de alimentos, popularmente chamadas de merendeiras, demonstram, todos os dias, amor pela função e afirmam que é extremamente satisfatório fazer parte da construção do futuro da população manauara.
Ivanete dos Santos é merendeira há nove anos. Atualmente, ela prepara refeições para crianças de 1 a 3 anos na creche municipal Magdalena Arce Daou, administrada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), mas traz na bagagem a experiência de ter atuado com estudantes do 6º ao 9º ano. Para ela, garantir a nutrição desses alunos é uma satisfação, especialmente no cenário atual, voltado para bebês que possuem uma dieta mais restritiva, como a ausência de açúcar nas receitas.
Quando os pequenos pedem para repetir o prato, Ivanete encontra a maior certeza de aceitação e valorização do trabalho que realiza. “A gente faz com todo o carinho e as crianças recebem bem, porque elas repetem. Então, para a gente, é uma satisfação. Fazer uma coisa com gosto e ver as crianças aceitarem não tem preço”, relata.
O amor também é a principal ferramenta de trabalho para Jaqueline Silva, merendeira há quatro anos na creche municipal Manuel Octávio Rodrigues de Souza. “Eu trabalho como se estivesse cozinhando para os meus próprios filhos. Então, a comida sai com amor, com apego e cuidado”.
Jaqueline afirma que o momento mais gratificante da rotina é quando as crianças fazem questão de elogiar a merenda. “O interessante é que, quando o prato chega para eles, eles olham e dizem: ‘Hum, gostoso!’. E quando provam, olham para a gente e fazem o sinal de positivo com o dedinho na janelinha do refeitório. Isso não tem preço que pague. É muito gratificante exercer essa função. A gente cria um amor genuíno por essas crianças”.
A aceitação do cardápio fica ainda mais evidente quando os pais entram em cena para elogiar e até pedir dicas de ingredientes, tentando reproduzir em casa o sucesso das escolas.
“Teve criança que chegou ao portão e falou para a avó: ‘Vó, eu comi a melhor sopa da minha vida!’. É uma gratificação enorme receber um elogio assim. Os pais estão sempre por aqui acompanhando os filhos e, graças a Deus, recebemos muito reconhecimento, tanto eu quanto a minha parceira de cozinha”, garantiu Ivanete.
Uma das mães chegou a pedir o “segredo” de Jaqueline para o mingau de arroz e descobriu que a filha preferia a versão sem açúcar, padrão seguido rigorosamente nas creches municipais. “Ela me perguntou qual era o segredo, porque fazia em casa e a filha dizia que não estava igual ao da creche. Quando explicamos a receita, ela se surpreendeu: ‘Interessante, porque em casa eu coloco açúcar e vocês não colocam, e ela prefere o da creche’”, relembrou a merendeira.
O cuidado vai além do prato. Passa pelo olhar atento e pelo incentivo lúdico na hora da refeição. “A gente interage o tempo todo. Fica na janelinha dizendo: ‘Come para ficar forte! Olha, tá gostoso!’. A gente até finge que está comendo para empolgar. Eles entram na brincadeira e dizem: ‘Tia, eu já tô forte!’”, acrescentou Jaqueline.
Esse ecossistema de afeto e criatividade levou três unidades de ensino da prefeitura a se classificarem para a terceira etapa do concurso nacional “Melhores Receitas da Alimentação Escolar”, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Com pratos baseados em ingredientes regionais, as receitas valorizam a cultura alimentar amazônica.
Entre as representantes de Manaus, a creche municipal Magdalena Arce Daou alcançou o topo do ranking geral do Estado do Amazonas nesta etapa, conquistando a nota máxima (100 pontos) com a receita “Refogadinho de Caruru”. Também asseguraram vaga na final o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Manuel Bandeira e a creche municipal Manuel Octávio Rodrigues de Souza, ambas com a pontuação de 98 pontos.
O concurso nacional vai premiar 55 merendeiras e merendeiros em todo o país, além de suas respectivas escolas. Cada profissional vencedor receberá um prêmio de R$ 5 mil em dinheiro, e as receitas serão publicadas em um e-book digital do MEC.
Já as escolas integradas aos vencedores ganharão um prêmio de R$ 8 mil, recurso que deverá ser obrigatoriamente revertido na aquisição de novos equipamentos ou na melhoria da infraestrutura das cozinhas escolares.
Para votar e apoiar as merendeiras de Manaus, basta acessar o link oficial do governo federal até o dia 30 de maio: https://www.gov.br/fnde/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/pnae/campanhas/concurso-melhores-receitas/votacaoconcurso.
Tags: alimentação escolar, Manaus, merendeiras
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