El Niño pode voltar entre julho e setembro e acende alerta para vazante dos rios no Amazonas – A Crítica

Segundo pesquisador da UEA, fenômeno climático deve ocorrer em intensidade moderada a fraca, mas pode provocar redução das chuvas e impactos no interior do estado
(Foto: Reprodução)
O fenômeno climático El Niño pode voltar a se formar entre julho e setembro deste ano. No Amazonas, os possíveis impactos incluem redução das chuvas e intensificação da vazante dos rios. As informações foram divulgadas pelo coordenador do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), Francis Wagner, em entrevista ao repórter Valter Cardoso, da TV A Crítica. 
Segundo o pesquisador, o El Niño é um fenômeno natural causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Tropical e pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Ele explicou que a combinação desses fatores altera a circulação atmosférica e provoca redução das chuvas na Amazônia e em parte do Nordeste brasileiro. 
“O El Niño é um fenômeno da interação oceano-atmosfera natural, que já existe há milhares de anos. Praticamente a cada sete anos nós temos o aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Tropical e o enfraquecimento dos ventos alísios, que são os ventos que sopram na parte tropical. Quando acontece esse padrão de aquecimento do oceano e dos ventos, há uma perturbação de toda a circulação atmosférica de grande escala, fazendo com que nós tenhamos uma circulação descendente sobre a Amazônia e grande parte do Nordeste do país, levando à redução das chuvas e à escassez de umidade na região”, explicou Francis Wagner durante a entrevista. 
Apesar das especulações sobre a possibilidade de um “super El Niño”, o coordenador do LabClim-UEA afirmou que o cenário ainda não é considerado preocupante, segundo o monitoramento do laboratório. De acordo com ele, as temperaturas do Oceano Pacífico seguem em condição de neutralidade, sem configuração oficial do fenômeno até o momento. 
“O que a ciência e o nosso monitoramento mostram é que ainda não se configurou o padrão do El Niño no Oceano Pacífico. As temperaturas da água do mar estão em condição de neutralidade em grande parte do oceano, com temperatura em torno de meio grau, o que ainda não caracteriza o fenômeno. O nosso prognóstico para os próximos meses é que possivelmente o El Niño deverá surgir entre julho, agosto e setembro, mas em uma condição de moderado a fraco”, destacou. 
Ainda conforme o especialista, o impacto do El Niño varia conforme a região do país. Enquanto a Amazônia tende a enfrentar períodos de estiagem e redução da umidade, outras regiões podem registrar aumento das chuvas. 
“Existem muitas especulações falando de um super, mega ou até tenebroso El Niño, mas a academia e o LabClim monitoram isso diariamente. O que estamos prevendo é um fenômeno que poderá começar a acontecer a partir de julho, em uma escala de moderado para fraco”, ressaltou. 
No Amazonas, o fenômeno preocupa principalmente pelos reflexos sobre a vazante dos rios, afetando comunidades, transporte e abastecimento no interior do estado.

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