Ao mesmo tempo em que a presença da natureza tem uma marca forte na produção artística do Norte do país, é intensa e engajada a ligação dos artistas com as questões contemporâneas, especialmente quando se trata da produção feminina. É esse aspecto que a curadora Sissa Aneleh procura ressaltar na exposição Amazônicas: poéticas femininas, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Há representantes de todas as gerações entre as 80 obras selecionadas pela curadora, que dividiu a exposição em um núcleo com trabalhos físicos e outro com uma exibição virtual.
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No total, 21 artistas do Pará, Acre e Amazonas participam da mostra. Entre elas, estão nomes como Lúcia Gomes, uma das primeiras a experimentar a performance no Pará, e Dinah Oliveira, com mais de cinco décadas de carreira e pioneira da arte abstrata. “Lucia Gomes tem mais de 40 anos de carreira. Essa geração veio trabalhando na performance desde narrativas amazônicas até território, memória e ancestralidade”, explica a curadora, que não queria fazer uma exposição focada apenas em temas relacionados à Amazônia, mas mostrar a diversidade temática presente na produção. “Eu não queria que as pessoas achassem que mulheres amazônicas trabalham só com temas amazônicos, então temos artistas envoltas nas temáticas gerais da arte contemporânea brasileira. Tem uma diversidade de temáticas, tanto do universo amazônico feminino quanto mais abrangentes como arte abstrata e figurativa”, diz.
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Entre as linguagens das obras propostas por Sissa estão fotografia, videoarte, escultura, objeto, fotoperformance e, principalmente, pintura e gravura. “Uma característica muito forte dessas artistas do Norte é que são pioneiras na pintura e na gravura”, explica. “A performance também é uma linguagem artística muito forte no Norte, uma linguagem que elas dominaram e dominam.” A curadora acredita que tais características vêm da familiaridade com narrativas de composição e da potência fotográfica e audiovisual dos artistas do Norte. No caso das mulheres, ela acrescenta uma atenção especial para o corpo como instrumento de tomada de poder. “Eu me apodero, eu tenho domínio do meu corpo, eu escolho como suporte principal, então é muito importante essa presença do corpo”, garante.
Na performance, um dos nomes de destaque na exposição é Lúcia Gomes, cuja carreira de mais de 40 anos serviu de referência para toda uma geração. No repertório temático estão desde narrativas amazônicas até aquelas que exploram reflexões sobre memória, território e ancestralidade. No campo da arte de rua, a exposição traz obras de Wira Tini, descendente do povo kokama e autora de grafites em larga escala que exploram histórias ligadas à realidade das mulheres indígenas no mundo contemporâneo. Da Ilha de Marajó, Lise Lobato é autora de uma produção que inclui esculturas, desenhos, gravuras e instalações com referências marajoaras em releituras extremamente contemporâneas. Da mesma ilha, Bárbara Savannah é considerada uma pintora de novíssima geração que se debruça sobre temática voltada para o território da Amazônia.
Amazônicas foi dividida em três núcleos. O primeiro, Amazônia pictórica, é consagrado à produção de pintura, e o segundo, Materialidades, reúne esculturas, objetos e instalações. Em Performáticas estão os registros de performances. “Apresento muitas obras que trabalham a arte da performance e muita produção partindo do próprio território amazônico, com artistas trans e lgbtqia , como Rafa Bqueer”, avisa a curadora.
Uma sala expositiva especial, montada graças a um patrocínio da Petrobras, simula um metaverso das artistas com um cenário criado para uma imersão com óculos 3D. A exposição virtual está montada em 360 graus e pode ser visitada com avatares em realidade aumentada. “É a segunda parte da visitação e é a primeira vez que as artistas apresentam essas obras assim”, conta Sissa, que selecionou 30 obras para esse espaço que ela chama de metaverso.
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Repórter do Correio Braziliense desde 2000 com experiência na cobertura de Cultura, especialmente artes plásticas, literatura e teatro.

Diversão e Arte
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