Estado registra o segundo maior número de CNPJs negativados da Região Norte
Crédito restritivo e juros elevados pressionam negócios amazonenses, aponta Serasa Experian (Junio Matos/Arquivo A CRÍTICA)
O Amazonas registrou 148.094 empresas inadimplentes em abril deste ano, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O número coloca o estado na segunda posição da Região Norte em quantidade de CNPJs negativados, atrás apenas do Pará, que contabilizou 182.519 empresas nessa situação.
Juntas, as empresas amazonenses acumulam 855.727 dívidas negativadas, que somam mais de R$ 3 bilhões. A dívida média por empresa no estado chegou a R$ 20.435,67.
Os dados fazem parte de um cenário nacional de recorde histórico. Em abril, o Brasil atingiu pela primeira vez a marca de 9 milhões de empresas inadimplentes. Ao todo, foram 63,7 milhões de dívidas negativadas, que somaram R$ 220,9 bilhões.
Em entrevista à reportagem de A Crítica, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destaca que o resultado observado no Amazonas deve ser analisado dentro de um contexto econômico mais amplo.
Segundo ela, além das características econômicas do estado, as empresas enfrentam atualmente um ambiente financeiro desafiador.
A economista acrescenta que a combinação entre juros altos, dificuldades de acesso ao crédito e crescimento mais moderado das receitas tem pressionado o caixa das empresas.
Empresas enfrentam atualmente um ambiente financeiro desafiador
Embora a Serasa não divulgue dados setoriais por estado, o levantamento nacional mostra que o setor de serviços concentrou 55,6% das empresas inadimplentes em abril. Na sequência aparecem comércio (32,4%), indústria (8,1%) e setor primário (0,9%).
De acordo com Camila Abdelmalack, essa tendência pode ajudar a compreender o cenário amazonense, especialmente em Manaus e região metropolitana.
Outro dado apontado pela especialista é que a maior parte das dívidas inadimplidas não está concentrada no sistema bancário.
O levantamento mostra ainda que as micro e pequenas empresas continuam sendo as mais afetadas pela inadimplência. Em todo o país, o segmento alcançou o recorde de 8,5 milhões de CNPJs negativados em abril, acumulando R$ 191,8 bilhões em dívidas.
Para o Sebrae Amazonas, os números acendem um alerta não apenas para os empresários, mas para toda a economia.
Segundo Corrêa, empresas inadimplentes enfrentam dificuldades para obter crédito, investir e expandir suas operações, enquanto consumidores e governos também sofrem reflexos indiretos da situação. Ela também afirma que muitos casos de inadimplência estão relacionados à gestão financeira.
“A inadimplência empresarial não é falta de cliente, ela decorre, sobretudo, de falhas estruturais na gestão financeira, especialmente no descontrole do fluxo de caixa, na ausência de um bom planejamento e do uso inadequado do crédito.”
Empresas amazonenses acumulam 855.727 dívidas negativadas
Para ajudar empresários a reorganizar as finanças, o Sebrae oferece cursos, consultorias, conteúdos especializados e apoio ao crédito orientado.
Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a Serasa avalia que ainda é cedo para esperar uma queda significativa da inadimplência.
Segundo a economista, o principal desafio dos próximos meses será enfrentar a combinação entre crédito restritivo, desaceleração do faturamento das empresas e os custos estruturais do ambiente de negócios brasileiro.










Deixe o Seu Comentário