Saúde caótica e UEA “sucateadas”? Olha quem está falando… – Radar Amazônico


Essa foi a frase que imediatamente me veio à mente ao ver políticos do Amazonas falando no Senado Federal sobre problemas na saúde pública e na educação, falando da “caótica” situação da saúde no Amazonas e sobre um tal de “sucateamento” da Universidade do Estado do Amazonas”, porque dinheiro da UEA estaria sendo utilizado para outras finalidades. Como é que é, meu povo? Essa cabeça pensante de Anynha questionou cá com seus botões, e um pensamento ficou batucando na cabeça: pelo jeito, esses caras estão nos chamando de abilolados e desmemoriados.
E aí me veio a memória – e Anynha já era repórter! – o ano de 2007 quando uma Lei Delegada, 114 de 2007, dava plenos direitos ao governador – lembram quem era? – de utilizar o dinheiro da UEA para o que bem entendesse – com a permissão e o silêncio conivente da Assembleia Legislativa do Amazonas. E foi assim que durante anos o dinheiro da Universidade do Amazonas – nas minhas contas algo em torno de R$ 2 bilhões – foi contingenciado na fonte (bloqueio de recursos orçamentários) foram repassados para outras fontes, menos para o desenvolvimento do ensino superior da UEA. Se isso não é caos, não sei como classificar!
Nesse mesmo governo, foi feito o concurso público da UEA, mas os professores não foram efetivados por mérito, mas sim contratados no regime de CLT, com carteira assinada como qualquer trabalhador da inciativa privada. E o pior ainda estava por vir, já que um professor-mestre na sua área, ganhava por 20 horas de trabalho, apenas mil reais – nem pensar em greve ou qualquer reclamação, se não era demitido. Isso não é caótico?
E por falar em caos, voltando no tempo e nos arquivos de Anynha, guardados anos após anos, cheios de lembranças, algumas boas, mas muitas desalentadoras e caóticas, em outro governo do Amazonas – vocês lembram, né? – lá pelos idos de 2012, foram gastos só do orçamento da UEA, cerca de R$ 238 milhões com uma Cidade Universitária que hoje não passa de ferro retorcido e escombros, tanto na memória de Anynha como nas lentes do Radar. E, cerca de R$ 600 milhões dos recursos da UEA foram parar nos cofres da Secretaria de Infraestrutura do Estado, para a destinação que o governador da época bem quis.
E, euzinha, com o coração apertado e com esses olhos de lince que Deus me deu e que me fizeram a repórter que sou, continuei me perguntando: tem certeza que esses caras querem falar de saúde pública? E aí, reavivei as memórias e revi as matérias de arquivos do início do Radar de Anynha, quando denunciei sobre a morte de crianças cardiopatas, de pacientes hemofílicos na fila da morte sem direito a hemodiálise…, por causa do desvio de mais de R$ 120 milhões de reais da saúde do Amazonas. E, para minha revolta e desalento na época, muita gente se calou, inclusive colegas de imprensa.
E nesse tempo, os mesmos políticos que agora fazem coro, em período eleitoral, com os ex-governadores do Amazonas –, se omitiram como se nada tivesse acontecendo, inclusive os deputados da Assembleia Legislativa do Estado, que, à época, votaram contra a intervenção federal na saúde pública do Amazonas.
E só me restou, pra aliviar o peito e dar um pouco de paz à minha mente, fazer o que sempre faço, escrever e questionar: olha quem está falando?
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